O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO V - O PURGATÓRIO 1334

mais ou menos distante ou aproximado. Não há, pois, para o Espírito, senão duas alternativas: punição temporária graduada segundo a culpabilidade, e recompensa graduada segundo o mérito. O Espiritismo repele a terceira alternativa, a da condenação eterna. O inferno permanece como figura simbólica dos maiores sofrimentos, cujo termo é desconhecido. O purgatório é a realidade.

A palavra purgatório revela a idéia de um lugar circunscrito; por isso, se aplica, mais naturalmente, à Terra, considerada  como  lugar  de  expiação,  do  que  ao  espaço infinito, onde   erram  os  Espíritos  sofredores,  e  que também a natureza da expiação terrestre  é  uma  verdadeira expiação.

Quando os homens estiverem melhorados, não fornecerão ao mundo invisível senão bons Espíritos, e estes, em se encarnando, não fornecerão à Humanidade corporal senão elementos aperfeiçoados; então, cessando a Terra de ser um mundo de expiação, os homens não sofrerão mais nela as misérias que são as conseqüências de suas imperfeições. É essa transformação que se opera neste momento e que elevará a Terra na hierarquia dos mundos. (Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. III.)

10. – Por que, pois, o Cristo  não falou do purgatório? É que a idéia não existia, não havia a palavra para representá-la. Serviu-se da palavra inferno, a única que estava em uso, como termo genérico, para designar as penas futuras sem distinção. Se, ao lado da palavra inferno tivesse colocado uma palavra equivalente ao purgatório, não poderia precisar-lhe o sentido verdadeiro sem decidir uma questão reservada ao futuro; por outro lado, fora consagrar a existência de dois lugares especiais de castigos. O inferno, na sua acepção geral, revelando a idéia de punição, encerrava, implicitamente, a do purgatório que não é senão um modo de penalidade. O futuro, devendo esclarecer os homens sobre a natureza das penas, devia, por isso mesmo, reduzir o inferno ao seu justo valor.

Uma vez que a  Igreja  acreditou  dever,  depois  de seis séculos, suprir o silêncio de Jesus decretando a existência do purgatório, foi porque pensou que  ele  não  dissera tudo. Por que não seria, para outros  pontos,  assim, como para este?