O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO VI - DOUTRINA DAS PENAS ETERNAS 1335

CAPÍTULO VI

DOUTRINA DAS PENAS ETERNAS

Origem da doutrina das penas eternas. – Argumentos a favor das penas eternas. – Impossibilidade material das penas

eternas. – A doutrina das penas eternas fez sua época. – Ezequiel contra a eternidade das penas e o pecado original.

ORIGEM DA DOUTRINA DAS PENAS ETERNAS

1. – A crença na eternidade das penas perde, cada dia, tanto terreno que, sem ser profeta, cada um pode prever-lhe o fim próximo. Ela foi combatida com argumentos tão poderosos e tão peremptórios, que parece quase supérfluo dela ocupar-se de hoje em diante, e que basta deixá-la morrer aos poucos. Entretanto, não se pode dissimular que, por caduca que seja, é ainda o ponto de reunião dos adversários das idéias novas, o que defendem com mais obstinação, porque é um dos lados mais vulneráveis e prevêem as conseqüências do seu fracasso. Desse ponto de vista, esta questão merece um exame sério.

2. – A doutrina das penas eternas, como a do inferno material, tiveram a sua razão de ser, quando esse temor podia ser um freio para homens pouco avançados, intelectual e moralmente. Do mesmo modo que não foram, senão pouco ou nada, impressionados pela idéia de penas morais, não o teriam sido mais pela das penas temporárias; não compreenderiam mesmo a justiça das penas graduadas e proporcionais, porque não estavam aptos a compreender as nuanças delicadas do bem e do mal, nem o  valor  relativo  das  circunstâncias atenuantes ou agravantes.