O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO VII - AS PENAS FUTURAS SEG.O ESPIRITISMO 1353

é fraco, o que reverte a questão e deixa, ao Espírito, a responsabilidade de todos os seus atos. A carne, que não tem nem pensamento e nem vontade, não prevalece jamais sobre o Espírito, que é o ser pensante e que decide; é o Espírito que dá, à carne, as qualidades correspondentes aos seus instintos, igual um artista imprime, em sua obra material, a marca do seu gênio. O Espírito,liberto dos instintos da bestialidade, modela um corpo que não é mais um tirano para as suas aspirações em direção da espiritualidade do seu ser; é, então, que o homem come para viver, porque viver é uma necessidade, mas não vive mais para comer.

A responsabilidade moral dos atos da vida, pois, permanece inteira; mas, a razão diz que as conseqüências dessa responsabilidade devem estar em relação com o desenvolvimento intelectual do Espírito; quanto mais este seja esclarecido, menos é escusável, porque, com a inteligência e o senso moral, nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto.

Essa lei explica o insucesso da Medicina em certos casos. Desde que o temperamento é um efeito, e não uma causa, os esforços, na tentativa de modificá-lo, necessariamente, são paralisados pelas disposições morais do Espírito, que opõe uma resistência inconsciente e neutraliza a ação terapêutica. É, pois, sobre a primeira causa que é preciso agir. Dai, se for possível, coragem ao covarde, e vereis cessarem os efeitos psicológicos do medo.

Isso prova, uma vez mais, a necessidade, para a arte de curar, de se levar em conta a ação do elemento espiritual sobre o organismo. (Revista Espírita, março 1869, p. 65.)

PRINCÍPIOS DA DOUTRINA ESPÍRITA SOBRE AS PENAS FUTURAS

A Doutrina Espírita, no que concerne às penas futuras, não está mais fundada sobre uma teoria preconcebida do que em suas outras partes; não é um sistema substituindo um outro sistema; em todas as coisas, se apóia sobre as observações, e é isso que lhe dá autoridade. Ninguém, pois, imaginou que as almas, depois da morte, deveriam se encontrar em tal ou tal situação; são os próprios seres que deixaram a Terra que vêm, hoje, nos iniciar nos mistérios da vida futura, descrever, sua posição, feliz ou infeliz, as suas impressões e