O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO VII - AS PENAS FUTURAS SEG.O ESPIRITISMO 1354

a sua transformação com a morte do corpo; em uma palavra, completar, sobre esse ponto, o ensinamento do Cristo.

Não se trata, aqui, da relação de um único Espírito, que poderia não ver as coisas senão sob o seu ponto de vista, sob um único aspecto, ou estar, ainda, dominado pelos preconceitos terrestres, nem de uma revelação, feita a um único indivíduo, que poderia se deixar enganar pelas aparências, nem de uma visão extática que se presta às ilusões, e, no mais das vezes, não é senão o reflexo de uma imaginação exaltada (1); mas trata-se de inumeráveis exemplos fornecidos por todas as categorias de Espíritos, desde o alto até o mais baixo da escala, com a ajuda de inumeráveis intermediários disseminados sobre todos os pontos do globo, de tal sorte que a revelação não é o privilégio de ninguém, que cada um também pode ver e observar, e que ninguém está obrigado a crer sobre a fé de outrem.

CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA

O Espiritismo não vem, pois, com a sua autoridade particular, formular um código de fantasia; sua lei, no que diz respeito ao futuro da alma, deduzida da observação tomada sobre os fatos, pode se resumir nos pontos seguintes:

1º A alma ou Espírito sofre, na vida espiritual, as conseqüências de todas as imperfeições das quais não se despojou, durante a vida corporal. Seu estado, feliz ou infeliz, é inerente ao grau de sua depuração ou de suas imperfeições.

2º A felicidade perfeita está ligada à perfeição, quer dizer, à depuração completa do Espírito. Toda imperfeição é, ao mesmo tempo, uma causa de sofrimento e de privação de prazer, do mesmo modo que, toda qualidade adquirida, é uma causa de prazer e de atenuação dos sofrimentos.

Não há uma única imperfeição da alma que não carregue consigo as suas conseqüências deploráveis, inevitáveis, e uma única boa qualidade que não seja a fonte de um prazer. A soma das penas assim é proporcional à soma das imperfeições, do mesmo modo que a dos gozos está  em razão da soma das qualidades.


(1) Ver acima, cap. VI, nº 7, e O Livro dos Espíritos, nºs 443, 444.