O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO VII - AS PENAS FUTURAS SEG.O ESPIRITISMO 1360

contrário, segundo o dogma das penas irremissíveis, toda a esperança lhe estivesse para sempre sustada, não teria nenhum interesse em se voltar para o bem, que lhe seria sem proveito.

Diante dessa lei, cai igualmente a objeção tirada da preciência divina. Deus, criando uma alma, sabe, com efeito, em virtude do seu livre arbítrio, se ela tomará o bom ou o mau caminho; sabe que será punida se fizer o mal; mas sabe, também, que esse castigo

temporário é um meio para que compreenda seu erro e a faça entrar no bom caminho, onde chegará cedo ou tarde. Segundo a doutrina das penas eternas, sabe que falirá, e estará antecipadamente condenada a torturas sem fim.

21º Ninguém é responsável senão pelas suas faltas pessoais; ninguém sofrerá as penas das faltas dos outros, a menos que lhes haja dado lugar, seja em provocando-as com o seu exemplo, seja em não as impedindo quando tinha esse poder.

Assim é que, por exemplo, o suicida é sempre punido; mas aquele que, pela sua dureza, leva um indivíduo ao desespero, e daí a se destruir, sofre uma pena ainda maior.

22º Embora a diversidade das penas seja infinita, há as que são inerentes à inferioridade dos Espíritos, e cujas conseqüências, salvo algumas nuanças, são quase idênticas.

A punição mais imediata, sobretudo entre aqueles que são apegados à vida material, negligenciando o progresso espiritual, consiste na lentidão da separação da alma e do corpo, nas angústias que acompanham a morte e o despertar na outra vida, na duração da perturbação, que pode persistir por meses e anos. Entre aqueles, ao contrário, cuja consciência é pura, que, em sua vida, se identificaram com a vida espiritual e se desligaram das coisas materiais, a separação é rápida, sem abalos, o despertar pacífico e a perturbação quase nenhuma.

23º Um fenômeno, muito freqüente entre os Espíritos de uma certa inferioridade moral, consiste em se crerem ainda vivos, e essa ilusão pode se prolongar durante anos, durante os quais sofrem todas as necessidades, todos os tormentos e todas as perplexidades da vida.

24º Para o criminoso, a visão incessante das suas vítimas e das circunstâncias do crime é um cruel suplício.

25º Certos Espíritos são mergulhados em espessas