O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO VII - AS PENAS FUTURAS SEG.O ESPIRITISMO 1362

cia ulterior. Foi nesse sentido que Jesus disse: "Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V.)

29º A misericórdia de Deus, sem dúvida, é infinita, mas não é cega. O culpado ao qual perdoa, não está exonerado, e, enquanto não tenha satisfeito à justiça, sofre as conseqüências das suas faltas. Por misericórdia infinita, é preciso entender que Deus não é inexorável, e que deixa sempre aberta a porta de retorno ao bem.

30º Sendo as penas temporárias, e subordinadas ao arrependimento e à reparação, que dependem da livre vontade do homem, são, ao mesmo tempo, os castigos e os remédios que devem curar as feridas do mal. Os Espíritos em punição estão, pois, não como forçados condenados a determinado tempo, mas, iguais a doentes no hospital, que sofrem da doença que, freqüentemente, decorre das suas faltas, e os meios dolorosos de que necessita, mas, que têm a  esperança de sarar, e que saram tanto mais depressa quanto sigam exatamente as prescrições do médico, que vela sobre eles com solicitude. Se prolongam os seus sofrimentos, por suas faltas, o médico nada tem com isso.

31º Às penas que o Espírito sofre na vida espiritual, vêm se juntar as da vida corporal, que são a conseqüência das imperfeições do homem, de suas paixões, do mau uso das suas faculdades, e a expiação das faltas presentes e passadas. É na vida corporal que o Espírito repara o mal das suas existências anteriores, que põe em prática as resoluções tomadas na vida espiritual. Assim se explicam essas misérias e essas vicissitudes que, à primeira vista, parecem não ter razão de ser, e são de toda justiça desde que são a quitação do passado e servem para o nosso adiantamento (1).

32º Deus, diz-se, não provaria maior amor pelas suas criaturas, se as tivesse criado infalíveis e, conseqüentemente, isentas das vicissitudes relativas à imperfeição?

Seria necessário, para isso, que criasse seres perfeitos, nada tendo a adquirir, nem em conhecimentos e nem em moralidade. Sem nenhuma dúvida, poderia fazê-lo; se não


(1) Ver atrás, cap. VI, o Purgatório, nºs. 3 e seguintes; e, adiante, cap. XX: Exemplos de expiações terrestres. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V: Bem-aventurados os aflitos.