O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. IV - PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS 137

168 - O número de existências corporais é limitado, ou, o Espírito se reencarna perpetuamente?

- A cada nova existência o Espírito dá um passo no caminho do progresso; quando se despojou de todas as suas impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal.

169 - O número de encarnações é o mesmo para todos os Espíritos?

- Não, aquele que caminha depressa se poupa das provas. Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas porque o progresso é quase infinito.

170 - Em que se transforma o Espírito depois da sua última encarnação?

- Espírito bem-aventurado; é um Espírito puro.

JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO.

171 - Sobre o que está baseado o dogma da reencarnação?

- Sobre a justiça de Deus e a revelação, pois, repetimos sempre: Um bom pai deixa sempre aos seus filhos uma porta aberta ao arrependimento. Não lhe diz a razão que seria injusto privar para sempre, da felicidade eterna, todos aqueles cujo progresso não dependeu deles mesmos? Não são todos os homens filhos de Deus? Somente entre os egoístas se encontram a iniqüidade, o ódio implacável e os castigos sem perdão.

Todos os Espíritos tendem à perfeição e Deus lhes  fornece os meios pelas provas da vida corpórea; mas, em sua justiça, lhes faculta realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.

Não estaria de acordo com a eqüidade, nem com a bondade de Deus, castigar para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu progresso, independentemente da sua vontade, no próprio meio onde foram colocados. Se o destino do homem está irrevogavelmente fixado após a sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança, e não os teria tratado com imparcialidade.

A doutrina da reencarnação, isto é, aquela que admite para o homem várias existências sucessivas, é a única que responde à idéia que fazemos da justiça de Deus em relação aos homens colocados em uma condição moral inferior, a única que nos explica