O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO X - INTERVENÇÃO DO DEMÔNIOS 1403

deve ser adquirida senão pelo trabalho, porque é só pelo trabalho que o homem avança em seu caminho. Que mérito haveria se não tivesse senão que interrogar os Espíritos para tudo saber? Todo imbecil poderia tornar-se sábio por esse preço. Ocorre o mesmo com as invenções e as descobertas da indústria.

Quando o tempo de uma descoberta chegou, os Espíritos encarregados de dirigir-lhe a marcha procuram o homem capaz de conduzi-la a bom fim, e lhe inspiram as idéias necessárias, de maneira a deixar-lhe todo o mérito, porque essas idéias, é preciso que as elabore e as ponha em prática. Assim ocorre com todos os grandes trabalhos da inteligência humana. Os Espíritos deixam cada homem em sua esfera; daquele que não é próprio senão para cavar a terra, não farão depositário dos segredos de Deus; mas eles saberão tirar da obscuridade o homem capaz de secundar os seus desígnios. Não vos deixeis, pois, arrastar pela curiosidade ou ambição, para um caminho que não é objetivo do Espiritismo, e que resultará para vós nas mais ridículas mistificações. (O Livro dos Médiuns, cap. XXVI.)

– Os Espíritos não podem fazer descobrir os tesouros ocultos. Os Espíritos superiores não se ocupam dessas coisas; mas Espíritos zombeteiros indicam, freqüentemente, tesouros que não existem, ou podem fazer procurar um num lugar, ao passo que está no oposto; e isso tem a sua utilidade para mostrar que a verdadeira fortuna está no trabalho. Se a Providência destina riquezas ocultas a alguém, esse alguém as encontrará naturalmente, de outro modo não. (O Livro dos Médiuns, cap. XXVI.)

– O Espiritismo, esclarecendo-nos sobre as propriedades dos fluidos que são os agentes e os meios de ação do mundo invisível, e constituem uma das forças e um dos poderes da Natureza, nos dá a chave de uma multidão de coisas inexplicadas e inexplicáveis por todo outro meio, e que puderam, nos tempos recuados, passar por prodígios. Ele revela, do mesmo modo que o magnetismo, uma lei, senão desconhecida, pelo menos mal compreendida; ou, melhor dizendo, conheciam-se os efeitos, porque se produziram em todos os tempos, mas não se conhecia a lei, e foi essa ignorância da lei que engendrou a superstição. Conhecida essa lei, o maravilhoso desapareceu, e os fenômenos entraram na ordem das coisas naturais. Eis porque os espíritas