O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO X - INTERVENÇÃO DO DEMÔNIOS 1404

não fazem mais milagres fazendo girar uma mesa ou um defunto escrever, que o médico fazendo reviver um morimbundo, ou um físico fazendo cair o raio. Aquele que pretendesse, com a ajuda desta ciência, fazer milagres, seria ou um ignorante da coisa, ou um enganador. (O Livro dos Médiuns, cap. II.)

– Certas pessoas se fazem uma idéia muito falsa das evocações; há as que crêem consistirem em fazer os mortos voltarem com o aparato lúgubre do túmulo. Não é senão nos romances, nos contos fantásticos de fantasmas e no teatro que se vêem os mortos descarnados saírem de seus sepulcros, cobertos de lençóis, fazendo estalar seus ossos. O Espiritismo, que jamais fez milagres, não tem feito mais aquele que outros, e jamais fez reviver um corpo morto; quando um corpo está na fossa, aí está bem definitivamente; mas o ser espiritual, fluídico, inteligente, não está aí colocado com o seu envoltório grosseiro; dele se separou no momento da morte, e uma vez operada a separação, não tem mais nada de comum com ele. (O que é o Espiritismo, cap. II, nº 48.)

11. – Estendemo-nos sobre essas citações para mostrar que os princípios do Espiritismo não têm nenhuma relação com a magia. Assim, nada de Espíritos às ordens dos homens, nada de meios de obrigá-los, nada de sinais ou fórmulas cabalísticas, nada de descobertas de tesouros ou procedimentos para se enriquecer, nada de milagres ou prodígios, nada de adivinhações nem aparições fantásticas; nada, enfim, do que constitui o objetivo e os elementos essenciais da magia; o Espiritismo não somente nega todas essas coisas, mas delas demonstra a impossibilidade e a ineficácia. Não há, pois, nenhuma analogia entre o fim e os meios da magia com os do Espiritismo; querer assimilá-los não pode ser senão o fato da ignorância ou da má fé; e como os princípios do Espiritismo não têm nada de secreto, e são formulados em termos claros e sem equívocos, o erro não poderia prevalecer.

Quanto aos fatos das curas, reconhecidos reais na pastoral supracitada, o exemplo foi mal escolhido para afastar das relações com o Espírito. É um dos benefícios que tocam mais e que cada um pode apreciar; poucas pessoas estarão dispostas a renunciá-lo, sobretudo depois de terem esgotado todos os outros meios, na crença de ser curada