O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO XI - DA PROIBIÇÃO DE EVOCAR OS MORTOS 1412

CAPÍTULO XI

DA PROIBIÇÃO DE EVOCAR OS MORTOS.

1. – A Igreja não nega, de modo algum, o fato das manifestações; ela as admite todas, ao contrário, assim como se viu nas citações precedentes, mas as atribui à intervenção exclusiva dos demônios. É sem razão que alguns invocam o Evangelho para interditá-las, porque o Evangelho disso não diz uma palavra. O supremo argumento que se faz valer é a proibição de Moisés. Eis em que termos se exprime, a esse respeito, a pastoral citada nos capítulos precedentes:

"Não é permitido pôr-se em relação com eles (os Espíritos), seja imediatamente, seja por intermédio daqueles que os invoquem e interroguem. A lei mosaica pune de morte essas práticas detestáveis, em uso entre os Gentios." "Não ides procurar os mágicos, está dito no livro Levítico, e não dirijais aos adivinhos nenhuma pergunta, de medo de expor-se à mancha dirigindo-vos a eles." (cap. XIX, v. 31.) - "Se um homem ou uma mulher tem um Espírito de Piton ou de adivinhação, que sejam punidos de morte; serão lapidados, e seu sangue cairá sobre as suas cabeças." (cap. XX, v. 27.) E no livro do Deuteronômio: "Que não haja entre vós ninguém que consulte os adivinhos, ou que observe os sonhos ou os augúrios, ou que use de malefícios, de sortilégios e de encantamentos, ou que consulte aqueles que têm o Espírito de Piton e que pratiquem a adivinhação, ou que interroguem os mortos para aprenderem a verdade; porque o Senhor tem em abominação todas essas coisas, e destruirá, em vossa chegada, as nações que cometem esses crimes." (cap. XVIII, vv. 10, 11 e 12.)

2. - É útil, para a compreensão do verdadeiro sentido