O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO I 1422

SEGUNDA PARTE

EXEMPLOS

CAPÍTULO I

A PASSAGEM

1. – A confiança na vida futura não exclui as apreensões da passagem desta para a outra vida. Muitas pessoas não temem a morte por si mesma; o que temem é o momento da transição. Sofre-se ou não se sofre na travessia? Aí está o que as inquieta; e a coisa vale tanto mais apenas porque ninguém dela pode escapar. Pode-se dispensar de uma viagem terrestre; mas aqui, ricos como pobres devem transpor o limiar e, se for doloroso, nem a classe nem a fortuna podem abrandar-lhe a amargura.

2. – Ao ver a calma de certos mortos, e as terríveis convulsões da agonia de alguns outros, já se pode julgar que as sensações não são sempre as mesmas; mas quem pode nos informar a esse respeito? Quem nos descreverá o fenômeno fisiológico da separação da alma e do corpo? Quem nos dirá das impressões desse instante supremo? Sobre esse ponto a ciência e a religião são mudas.

E por que isso? Porque falta, a uma e a outra, o conhecimento das leis que regem as relações do Espírito e da matéria; uma se detém no limiar da vida espiritual, a outra no da vida material. O Espiritismo é o traço de união entre as duas; só ele pode dizer como se opera a transição, seja pelas noções mais positivas que dá quanto à natureza da alma, seja pelo relato daqueles que deixaram a vida. O conhecimento do laço fluídico que une a alma e o corpo é a chave desse fenômeno, como de muitos outros.

3. – A matéria inerte é insensível: isso é um fato positivo; só a alma experimenta as sensações do prazer e da dor. Durante a vida, toda desagregação da matéria repercute na alma, que dela recebe uma impressão mais ou menos