O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO I 1427

do qual a morte, mesmo a mais súbita, não fez mais que apressar o cumprimento; em outros, pode se prolongar durante anos. Esse estado é muito freqüente, mesmo nos casos de morte comum, e não tem, para alguns, nada de penoso segundo as qualidades do Espírito; mas, para outros, é uma situação terrível. É no suicídio, sobretudo, que essa situação é mais penosa. O corpo preso ao perispírito por todas as suas fibras, todas as convulsões do corpo repercutem na alma, que delas experimenta atrozes sofrimentos.

13. – O estado do Espírito no momento da morte pode se resumir assim:

O Espírito sofre tanto mais quanto o desligamento do corpo seja mais lento; a prontidão do desligamento está em razão do grau de adiantamento do Espírito; para o Espírito desmaterializado, cuja consciência é pura, a morte é um sono de alguns instantes, isenta de todo sofrimento, e cujo despertar é cheio de suavidade.

14. – Para trabalhar pela sua depuração, reprimir as más tendências, vencer as paixões, é preciso ver-lhes as vantagens no futuro; para se identificar com a vida futura, dirigir-lhe as suas aspirações e preferi-la à vida terrestre, é preciso não só nela crer, mas compreendê-la; é preciso se representá-la sob um aspecto satisfatório para a razão, em completo acordo com a lógica, o bom senso e a idéia que se faz da grandeza, da bondade e da justiça de Deus. De todas as doutrinas filosóficas, o Espiritismo é a que exerce, sob esse aspecto, a mais poderosa influência pela fé inabalável que ele dá.

O espírita sério não se limita a crer; ele crê porque compreende, e compreende porque se dirige ao seu julgamento; a vida futura é uma realidade que se desenrola sem cessar aos seus olhos; ele a vê e a toca, por assim dizer, em todos os instantes; a dúvida não pode entrar em sua alma. A vida corporal, tão limitada, se apaga para ele diante da vida espiritual, que é a verdadeira vida; daí o pouco caso que faz dos incidentes do caminho e sua resignação nas vicissitudes, das quais compreende a causa e a utilidade. Sua alma se eleva pelas relações diretas que mantém com o mundo invisível; os laços fluídicos que o ligam à matéria se enfraquecem e, assim, se opera um primeiro desligamento parcial que facilita a passagem desta vida para a outra. A perturbação, insepa-