O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO I 1428

rável da transição, é de curta duração, porque logo o limiar transposto, ele se reconhece; nada lhe é estranho; tem consciência de sua situação.

15. – O Espiritismo, seguramente, não é indispensável a esse resultado; também não tem a pretensão de só ele assegurar a salvação da alma, mas a facilita pelos conhecimentos que proporciona, os sentimentos que inspira e as disposições nas quais coloca o Espírito, a quem faz compreender a necessidade de se melhorar. Dá, além disso, a cada um, os meios de facilitar o desligamento de outros Espíritos no momento em que deixam o seu envoltório terrestre, e de abreviar a duração da perturbação pela prece e pela evocação. Pela prece sincera, que é uma magnetização espiritual, provoca-se uma desagregação mais pronta do fluido perispiritual; por uma evocação conduzida com sabedoria e prudência, e com palavras benevolentes e de encorajamento, tira-se o Espírito do entorpecimento em que se encontra, ajudando-o a reconhecer-se mais cedo; se é sofredor, excita-o ao arrependimento, que somente pode abreviar-lhe os sofrimentos (1).


(1) Os exemplos que iremos citar apresentam os Espíritos em diferentes fases de felicidade e de infelicidade da vida espiritual. Não os procuramos nos personagens mais ou menos ilustres da antigüidade, cuja posição pôde mudar consideravelmente depois da existência que se lhe conheceu e que, aliás, não ofereceriam provas suficientes de autenticidade. Nós os tomamos nas circunstâncias mais comuns da vida contemporânea, porque são as que cada um pode encontrar mais assimilação, e das quais podem se tirar as instruções mais proveitosas pela comparação. Quanto mais a existência terrestre dos Espíritos se aproxima de nós, pela posição social, as relações e os laços de parentesco, tanto mais nos interessam, e é mais fácil controlar-lhes a identidade.

As posições vulgares são as de maior número, por isso, cada um pode fazer-se, mais facilmente, aplicação delas; as posições excepcionais tocam menos porque saem da esfera de nossos hábitos. Essas não são, pois, as ilustrações que procuramos; se, nesses exemplos, encontram-se algumas individualidades conhecidas, a maioria é completamente obscura; nomes retumbantes nada teriam acrescentado para a instrução e poderiam ferir suscetibilidades. Não nos dirigimos nem aos curiosos nem aos amantes do escândalo, mas àqueles que querem seriamente se instruir.

Esses exemplos poderiam ser multiplicados ao infinito; mas, para limitar-lhes o número, escolhemos aqueles que podem lançar mais luz sobre o estado do mundo espiritual, seja pela posição do Espírito, seja pelas explicações que no caso eram para se dar. A maioria é inédita; somente alguns já foram publicados na Revista Espírita; suprimimos nestes os detalhes supérfluos, não conservando senão as partes essenciais aos objetivos que aqui nos propusemos, e lhes acrescentando instruções complementares, que puderam ocorrer ulteriormente.