O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. IV - PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS 143

TRANSMIGRAÇÃO PROGRESSIVA.

189 - Desde o princípio de sua formação, goza o Espírito da plenitude de suas faculdades?

- Não, porque o Espírito, como o homem, tem sua infância. Em sua origem, os Espíritos não têm mais que uma existência instintiva e possuem apenas a consciência de si mesmos e de seus atos. Não é senão pouco a pouco que a inteligência se desenvolve.

190 - Qual é o estado da alma em sua primeira encarnação?

- O estado da infância na existência corpórea. Sua inteligência apenas desabrocha: ela se ensaia para a vida.

191 - As almas dos nossos selvagens são almas em estado de infância?

 

deve causar admiração, se considerarmos quer certos Espíritos que habitam aquele planeta podiam ter sido enviados à Terra para cumprir uma missão, que, aos nossos olhos, não os colocava em primeiro plano; em segundo lugar que, entre a existência que viveram na Terra e a que vivem em Júpiter, devem ter tido outras intermediárias, nas quais se melhoraram; em terceiro lugar, que nesse mundo, como no nosso, existem diferentes graus de adiantamento e que, entre esses graus, pode haver a mesma distância que separa, entre nós, o selvagem do homem civilizado. Assim, do fato de habitarem Júpiter não se segue que estão ao nível dos seres mais avançados, da mesma forma que não se está ao mesmo nível de um sábio do Instituto, só porque se habita em Paris.

As condições de longevidade não são, também, em toda a parte as mesmas de sobre a Terra e a idade não se pode comparar. Uma pessoa desencarnada havia alguns anos, sendo evocada, disse estar encarnada há seis meses num mundo cujo nome nos é desconhecido. Interrogada sobre a idade que tinha esse mundo, respondeu: "Não posso avaliá-la porque não contamos o tempo como vós; depois o nosso modo de vida não é o mesmo, desenvolvemo-nos com muito maior rapidez; embora não faça mais que seis dos vossos meses que lá estou, quanto à inteligência, posso dizer que tenho trinta anos de idade que tive sobre a Terra."

Muitas respostas análogas nos foram dadas por outros Espíritos e isso nada tem de inacreditável. Não vemos sobre a Terra um grande número de animais adquirir, em poucos meses, o seu desenvolvimento normal? Por que não poderia ocorrer a mesma coisa com o homem de outras esferas? Notemos, por outro lado, que o desenvolvimento alcançado pelo homem na Terra, na idade de trinta anos, pode ser uma espécie de infância comparado àquele que deve alcançar. Bem curto de vista se revela quem nos toma em tudo por protótipos da Criação, e é rebaixar a Divindade acreditar-se que, fora o homem, nada mais seja possível a Deus.