O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1437

jo que a mesma harmonia possa se fazer não apenas em Paris, pela reunião de todos os grupos, mas, também em toda a França, onde os grupos se separam e se invejam, impelidos pelos Espíritos enredadores, que se comprazem com a desordem, ao passo que o Espiritismo deve ser o esquecimento completo, absoluto do eu.

13. Dissestes que ledes em nosso pensamento; poderíeis fazer com que compreendamos como se opera essa transmissão de pensamento? – R. Isso não é fácil; para vos dizer, vos explicar esse prodígio singular da visão dos Espíritos, seria preciso abrir todo um arsenal de agentes novos, e seríeis tão sábios quanto nós, o que não é possível, uma vez que as vossas faculdades são limitadas pela matéria. Paciência! Tornai-vos bons, e a isso chegareis; tendes, atualmente, o que Deus vos concede, mas com a esperança de progredir continuamente; mais tarde sereis como nós. Tratai, pois, de morrer bem para saber muito. A curiosidade, que é o estímulo do homem pensante, vos conduz tranqüilamente até a morte, vos reservando a satisfação de todas as vossas curiosidades passadas, presentes e futuras. À espera disso, eu vos direi, para vos responder mal ou bem a vossa pergunta: O ar que vos cerca, impalpável como nós, carrega o caráter do vosso pensamento; o sopro que exalais, por assim dizer, é a página escrita de vossos pensamentos; elas são lidas, comentadas pelos Espíritos que vos esbarram sem cessar; são as mensagens de uma telegrafia divina à qual nada escapa.

A MORTE DO JUSTO

Em seguida à primeira evocação do senhor Sanson, feita na Sociedade de Paris, um Espírito deu, sob este título, a comunicação seguinte:

A morte do homem, do qual vos ocupais neste momento, foi a do justo; quer dizer, acompanhada de calma e de esperança. Como o dia sucede, naturalmente, à aurora, a vida espírita, para ele, sucedeu à vida terrestre, sem abalo, sem dilaceramento, e seu último sopro foi exalado num hino de reconhecimento e de amor. Quão poucos atravessam assim essa rude passagem! Quão poucos, depois dos entusiasmos e os desesperos da vida concebem o ritmo harmonioso das esferas! Assim como o homem saudável, mutilado por uma bala, sofre ainda os membros dos quais se separou, assim a alma do homem que morre sem fé e sem