O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1438

esperança, se dilacera e palpita em se escapando do corpo, e em se lançando, inconsciente de si mesma, no espaço.

Orai por essas almas perturbadas; orai por todos os que sofrem; a caridade não está restrita à Humanidade visível: ela desperta e consola os seres que povoam o espaço. Disso tendes a prova tocante pela conversão tão rápida desse Espírito alcançado pelas preces espíritas feitas sobre o túmulo do homem de bem, que deveis interrogar, e que vos deseja fazer progredir no santo caminho (1). O amor não tem limites; ele enche o espaço, dando e recebendo sucessivamente as suas divinas consolações. O mar se desenrola numa perspectiva infinita; o seu último limite parece se confundir com o céu, e o Espírito está esquecido do espetáculo magnífico dessas duas grandezas. Assim o amor, mais profundo que as ondas, mais infinito que o espaço, deve vos reunir a todos, vivos e Espíritos, na mesma comunicação de caridade, e operar a admirável fusão do que é finito e do que é eterno.

GEORGES.

M. JOBARD

Diretor do Museu de Indústria de Bruxelas; nascido em Baissey (Haute-Marne); morto em Bruxelles, de um ataque

de apoplexia fulminante, em 27 de outubro de 1861, com a idade de sessenta e nove anos.

I

O senhor Jobard era presidente honorário da Sociedade Espírita de Paris; propôs-se evocá-lo na sessão de 8 de novembro, quando preveniu seu desejo dando a comunicação seguinte:

Eis-me, eu que ides evocar e que quero me manifestar primeiro a este médium que em vão solicitei até hoje.

Primeiro quero vos contar minhas impressões no momento da separação de minha alma: senti um abalo estranho e lembrei-me, de repente, o meu nascimento, a minha juventude, a minha idade madura; toda a minha vida se retratou nitida-


(1) Alusão ao Espírito de Bernard, que se manifestou espontaneamente no dia do funeral do senhor Sanson. (Ver a Revista de maio de 1862, p. 132.)