O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. IV - PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS 144

- Infância relativa; mas são almas que já progrediram, pois têm paixões.

- As paixões são, pois, um sinal de desenvolvimento?

- De desenvolvimento sim, mas não de perfeição; as paixões são um sinal de atividade e da consciência do eu, enquanto que, na alma primitiva, a inteligência e a vida estão em estado de germe.

A vida do Espírito, no seu conjunto, percorre as mesmas fases que vemos na vida corporal; passa gradualmente do estado de embrião ao da infância, para alcançar, por uma sucessão de períodos, a idade adulta, que é a da perfeição, com a diferença de que não conhece o declínio e a decrepitude como na vida corporal; que essa vida, que teve começo, não terá fim; que é preciso um tempo imenso, do nosso ponto de vista, para passar da infância espírita a um de-senvolvimento completo, e seu progresso se realiza não sobre uma só esfera mas, passando por mundos diversos. A vida do Espírito se compõe assim de uma série de existências corporais, sendo cada uma, para ele, uma oportunidade de progresso, da mesma forma que cada existência corporal se compõe de uma série de dias em cada um dos quais o homem adquire um acréscimo de experiências e de instrução. Todavia, da mesma forma que na vida do homem existem dias que não produzem fruto, na vida do Espírito há existên-cias corporais sem nenhum resultado, porque ele não as soube aproveitar.

192 - Pode-se, desde esta vida, por uma conduta perfeita, superar todos os graus e se tornar Espírito puro, sem passar pelos graus intermediários?

- Não, pois o que o homem acredita ser perfeito, está longe da perfeição; há qualidades que lhe são desconhecidas e que não pode compreender. Ele pode ser tão perfeito quanto o permita a sua natureza terrestre, mas, isso não é a perfeição absoluta. Uma criança, por precoce que seja, deve passar pela juventude antes de atingir a idade madura; da mesma forma, também, o doente passa pelo estado de convalescença antes de recuperar toda a saúde. Aliás, o Espírito deve avançar em ciência e em moralidade; e, se ele não progride senão num sentido, é necessário que progrida também no outro para alcançar o alto da escala. Todavia, quanto mais o homem avança na sua vida atual, menos as provas seguintes são longas e penosas.

- Pode o homem, ao menos, assegurar nesta vida uma existência futura menos cheia de amarguras?