O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1447

que me aplico; esforço-me por sugerir-lhes bons pensamentos e, sobretudo, a resignação que eu mesmo tive diante da vontade de Deus. A minha maior dificuldade é quando os vejo retardarem esse momento pela sua falta de coragem, seus murmúrios, a dúvida quanto ao futuro, ou por alguma ação repreensível. Trato, então, de desviá-los do mau caminho; se triunfo, é uma grande felicidade para mim, e com isso todos nos alegramos aqui; se fracasso, digo-me com pesar: ainda um atraso para eles; mas consolo-me pensando que nem tudo está perdido e sem retorno.

SR. VAN DURST

Antigo funcionário, morto em Anvers, em 1863, com a idade de oitenta anos.

Pouco tempo depois de sua morte, um médium vidente pediu ao seu guia espiritual se se poderia evocá-lo, e lhe foi respondido: "Esse Espírito sai lentamente de sua perturbação; já poderia vos responder, mas a comunicação custar-lhe-ia muito mais dificuldades. Peço-vos, pois, esperar ainda quatro dias, e ele vos responderá. Aí então ele já saberá das boas intenções que exprimistes a seu respeito, e virá a vós reconhecido e como bom amigo."

Quatro dias mais tarde, o Espírito ditou o que se segue:

Meu amigo, a minha vida foi de um bem pequeno peso na balança da eternidade; todavia, estou bem longe de ser infeliz; estou na condição humilde, mas relativamente feliz, daquele que fez pouco mal sem, com isso, aspirar à perfeição. Se há pessoas felizes em uma pequena esfera, pois bem, sou daquelas! Não lamento senão uma coisa, de não conhecer o que sabeis agora; a minha perturbação seria menos longa e menos penosa. Ela foi grande, com efeito: viver e não viver; ver o seu corpo, estar fortemente ligado a ele, e, no entanto, não mais poder dele servir-se; ver aqueles que se amou e sentir extinguir-se o pensamento que nos prende a eles, o que é terrível! Oh! que momento cruel! Que momento, quando o entorpecimento se apodera de vós e vos estrangula! E um instante depois, trevas. Sentir e, um momento depois, estar aniquilado. Quer-se ter consciência do seu eu, e não se pode recobrá-la; não se é mais e, entretanto, sente-se que se é; mas se está em uma perturbação profunda! E em seguida,