O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1448

depois de um tempo inapreciável, tempo de angústias contidas, porque não se tem mais a força de senti-las, depois desse tempo que parece interminável, renasce lentamente a existência; desperta-se em um novo mundo! Não mais corpo material, não mais vida terrestre: a vida imortal! Não mais homens carnais, mas formas leves, Espíritos que deslisam de todos os lados, vos rodeiam e não podeis abarcar a todos com o olhar, porque é no infinito que eles flutuam! Ter diante de si o espaço e poder transpô-lo apenas com a vontade; comunicar-se pelo pensamento com todos os que nos cercam! Amigo, que vida nova! Que vida brilhante! Que vida de alegrias!...Salvação, oh! salvação, eternidade que me contém em teu seio!...Adeus, Terra que me reteve tanto tempo longe do elemento natural de minha alma! Não, não te quero mais, porque tu és a terra do exílio, e a tua maior felicidade nada é!

Mas se soubesse o que sabeis, como essa iniciação na outra vida ter-me-ia sido mais fácil e mais agradável! Saberia, antes de morrer, o que tive que aprender mais tarde, no momento da separação, e a minha alma teria se libertado mais facilmente. Estais no caminho, mas nunca, nunca ireis bastante longe! Dize-o ao meu filho, mas dizei-lho tanto que creia e que se instrua; então, em sua chegada aqui, não nos separaremos.

Adeus a todos, amigos, adeus; eu vos espero, e durante o tempo em que estiverdes na Terra, freqüentemente, virei me instruir junto de vós, porque ainda não sei tanto como muitos dentre vós; mas o aprenderei depressa aqui onde não há mais entraves que me retenham, e onde não há mais idade que enfraqueça as minhas forças. Aqui se vive a traços largos e se avança, porque diante de si se vêem horizontes tão belos que se fica impaciente em abraçá-los.

Adeus, eu vos deixo, adeus.

VAN DURST.

SIXDENIERS

Homem de bem, morto em acidente, e conhecido do médium quando vivo.

(Bordeaux, 11 de fevereiro de 1861.)

P. Podeis dar-me alguns detalhes sobre a vossa morte?