O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1456

conhecia a sua extrema sensibilidade, e cuidara dela como sua própria filha. Essa prova de identidade dada àquela que o Espírito amava, não é impressionante e não é bem feita para que se entrevenha a vida futura sob o seu aspecto mais consolador?"

Nota. – A situação do senhor Demeure, como Espírito, é bem aquela que a sua vida, digna e utilmente cumprida, fazia pressentir; mas um outro fato, não menos instrutivo, ressalta dessas comunicações, que é a atividade que ele manifesta quase imediatamente após a sua morte, para ser útil. Pela sua alta inteligência e as suas qualidades morais, ele pertence à ordem dos Espíritos muito avançados; é feliz, mas a sua felicidade não é a inanição. Há alguns dias de distância, ele cuidava dos enfermos como médico, e, apenas desligado, apressa-se em cuidar deles como Espírito. Que se ganha, pois, em estar no mundo espiritual, dirão certas pessoas, se ali não se desfruta de repouso? A isso nós lhes perguntaremos primeiro se nada é não ter mais nem cuidados, nem as necessidades, nem as enfermidades da vida, de ser livre e poder, sem fadiga, percorrer o espaço com a rapidez do pensamento, ir ver seus amigos a toda hora, a qualquer distância em que eles se encontrem? Depois, acrescentaremos: Quando estiverdes no outro mundo, nada vos forçará fazer o que quer que seja; estareis perfeitamente livres para permanecerdes numa beata ociosidade tanto tempo quanto quiserdes; mas deixareis logo esse repouso egoísta, sereis os primeiros a pedir uma ocupação. Então, vos será respondido: Se vos aborreceis por nada fazer, procurai, vós mesmos, fazer alguma coisa; as ocasiões de ser útil não faltam mais no mundo dos Espíritos do que entre os homens. É assim que a atividade espiritual não é um constrangimento; ela é uma necessidade, uma satisfação para os Espíritos que procuram as ocupações em relação com os seus gostos e as suas aptidões, e escolhem de preferência aquelas que podem ajudar  o  seu adiantamento.

A SENHORA VIÚVA FOULON, NASCIDA WOLLIS.

A senhora Foulon, falecida em Antibes, no dia 3 de fevereiro de 1865, morou por muito tempo no Havre, onde granjeou uma reputação como miniaturista muito hábil. Seu talento notável, no início, não foi para ela senão uma distração