O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1458

quais tinha a se queixar, e que lhe pagaram com a ingratidão; que sempre lhes restituíra o bem pelo mal, e que deixou a vida perdoando-lhes, remetendo-os, por ela mesma, à bondade e à justiça de Deus. Enfim, ela morreu com a serenidade que dá uma consciência pura, e a certeza de estar menos separada de seus filhos que durante a vida corpórea, uma vez que poderá, doravante, estar com eles em Espírito, sobre qualquer ponto do globo em que se encontrem, ajudá-los com os seus conselhos, e cobri-los com a sua proteção.

Desde que soubemos da morte da senhora Foulon, nosso primeiro desejo foi conversar com ela. As relações de amizade e simpatia que a Doutrina Espírita fizera nascer entre ela e nós, explicam algumas de suas palavras e a familiaridade de sua linguagem.

I

(Paris, 6 de fevereiro de 1865, três dias depois de sua morte.)

Estava segura de que teríeis o pensamento de evocar-me, logo depois de minha libertação, e estava pronta para vos responder, porque não conheci a perturbação; não são senão aqueles que têm medo que são envolvidos por essas trevas espessas.

Pois bem! Meu amigo, estou feliz agora; esses pobres olhos que estavam enfraquecidos, e que não me deixavam senão a lembrança dos prismas que tinham colorido a minha juventude com o seu cintilante fausto, abriram-se aqui e encontraram os esplêndidos horizontes que idealizam, em suas vagas reproduções, alguns de vossos artistas, mas cuja realidade majestosa, severa e todavia cheia de encantos, está marcada com a mais completa realidade.

Não faz senão três dias que morri, e sinto que sou artista; minhas aspirações rumo ao ideal de beleza nas artes, não eram senão a intuição de faculdades que estudara e adquirira em outras existências, e que se desenvolveram na minha última. Mas, quanto tenho a fazer para reproduzir uma obra-prima digna da grande cena que fere o Espírito, chegado à região da luz! Pincéis! Pincéis! e eu provarei ao mundo que a arte espírita é o coroamento da arte pagã, da arte