O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1460

Espíritos te protejam; vou juntar-me a eles para isso. Voltarei a conversar convosco, porque sou uma conversadora infatigável; disso vos lembrais. Adeus, pois, bons e caros amigos; até breve.

Viúva FOULON.

II

(8 de fevereiro de 1865.)

P. Cara senhora Foulon, estou muito feliz com a comunicação que me destes outro dia, e com a vossa promessa de continuar as nossas conversas.

Eu vos reconheci perfeitamente na comunicação; nela falais de coisas ignoradas pelo médium e que não podiam vir senão de vós; depois a vossa linguagem afetuosa a nosso respeito, é bem a da vossa alma amorosa; mas há nas vossas palavras uma segurança, um equilíbrio, uma firmeza que não vos conheci quando viva. Sabeis que, a esse respeito, permiti-me mais de uma admoestação em certas circunstâncias.

R. É verdade; mas desde que me vi gravemente enferma, recobrei uma firmeza de espírito, perdida pelos desgostos e as vicissitudes que, por vezes, tornaram-me receosa durante a vida. Eu disse a mim mesma: Tu és espírita; esqueça a Terra; prepara-te para a transformação de teu ser, e vê, pelo pensamento, a senda luminosa que a tua alma deve seguir deixando o teu corpo, e que a conduzirá, feliz e liberta, às esferas celestes onde deves viver doravante.

Dir-me-eis que era um pouco presunçosa, de minha parte, em contar com a felicidade perfeita deixando a Terra, mas sofrera tanto que devera expiar as minhas faltas desta existência e das existências precedentes. Esta intuição não me enganara, e foi ela que me deu a coragem, a calma e a firmeza dos últimos instantes; esta firmeza foi naturalmente acrescida quando, depois de minha libertação, vi as minhas esperanças realizadas.

P. Quereis agora nos descrever a vossa passagem, o vosso despertar e as vossas primeiras impressões?