O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1463

Meus filhos, meus bem-amados, Deus me retirou de vós, mas a recompensa que ele dignou me conceder foi bem grande em comparação ao pouco que fiz na Terra. Sede resignados, meus bons filhos, às vontades do Mais Alto; hauri em tudo o que permitiu que recebêsseis, a força para suportar as provas da vida. Tende firme, no vosso coração, esta crença que tanto facilitou a minha passagem da vida terrestre para a vida que nos espera ao sair desse baixo mundo. Deus estendeu sobre mim, depois de minha morte, a sua inesgotável bondade, como consentiu fazê-lo quando eu estava na Terra. Agradecei a ele por todos os benefícios que vos concede; bendizei-o, meus filhos, bendizei-o sempre, em todos os instantes. Não percais jamais de vista o objetivo que vos foi indicado, nem o caminho que tendes a seguir; pensai no emprego que tendes a fazer do tempo que Deus vos concede na Terra. Aí sereis felizes, meus bem-amados, felizes uns pelos outros, se a união reinar entre vós; felizes por vossos filhos se os elevais no bom caminho, naquele que Deus permitiu que vos fosse revelado.

Oh! Se não podeis me ver, sabei bem que o laço que nos unia nesse mundo não foi rompido pela morte do corpo, porque não é o envoltório que nos liga, mas o Espírito; será por aí, meus bem-amados, que poderei, pela bondade do Todo-Poderoso, vos guiar ainda e vos encorajar na vossa caminhada, para nos reunirmos mais tarde.

Ide, meus filhos, cultivai com o mesmo amor essa sublime crença; belos dias vos estão reservados, a vós que credes. Já vos foi dito, mas eu não deveria vê-los na Terra; será do alto que julgarei os tempos felizes prometidos pelo Deus bom, justo e misericordioso.

Não choreis, meus filhos; que estas conversas fortifiquem a vossa fé, o vosso amor em Deus, que tantos dons derramou sobre vós, que tantas vezes enviou socorro à vossa mãe. Pedi-lhe sempre: a prece fortifica. Conformai-vos às instruções que segui tão ardentemente, na vida que Deus vos concede.

Eu voltarei, meus filhos, mas é necessário que sustente a minha pobre filha, que ainda tem tanta necessidade de mim. Adeus, até breve. Crede na bondade do Todo-Poderoso; eu o rogo por vós. Até a vista.

Viúva FOULON.