O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1464

Nota. – Todo espírita sério e esclarecido tirará facilmente destas comunicações os ensinamentos que dela ressaltam; não chamaremos a atenção, pois, senão, sobre dois pontos. O primeiro é que este exemplo nos mostra a possibilidade de não mais encarnar na Terra e passar daqui para um mundo superior, sem estar, por isso, separado dos seres queridos que aqui se deixa. Aqueles, pois, que temem a reencarnação por causa das misérias da vida, podem delas se isentar fazendo o que é necessário, quer dizer, trabalhando pelo seu adiantamento. Aquele que não quer vegetar nas classes inferiores, deve se instruir e trabalhar para subir de grau.

O segundo ponto é a confirmação desta verdade de que, depois da morte, estamos menos separados dos seres que nos são caros do que durante a vida. A senhora Foulon, retida pela idade e a enfermidade numa cidade do Midi, não tinha perto dela senão uma parte de sua família; a maioria dos seus filhos e de seus amigos, estava dispersa ao longe e obstáculos materiais se opunham a que ela pudesse vê-los tão freqüentemente como uns e outros o desejassem. A grande distância tornava mesmo a correspondência rara e difícil para alguns. Apenas se desembaraçou de seu corpo terrestre, leve, ela correu para junto de cada um, transpôs as distâncias sem fadiga, com a  rapidez da eletricidade, vê-os, assiste às suas reuniões íntimas, cerca-os de sua proteção e pode, pela via da mediunidade, conversar com eles a todo o instante, como quando viva. E dizer que a este pensamento consolador há pessoas que preferem a idéia de uma separação indefinida!

UM MÉDICO RUSSO.

O senhor P. era um médico de Moscou, tão distinguido por suas eminentes qualidades morais quanto pelo seu saber. A pessoa que o evocou conhecia-o apenas pela reputação, e não tivera com ele senão relações indiretas. A comunicação original foi em língua russa.

P. (Depois da evocação). Estais aqui? – R. Sim. No dia da minha morte, vos persegui com a minha presença, mas resististes a todas as minhas tentativas para vos fazer escrever. Ouvira as vossas palavras sobre mim; isso levou-me