O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1470

vam-na a uma apresentação doméstica à qual não podia infringir; mas, em tudo satisfazendo às exigências de sua posição, sem mequinhez, ali colocava uma ordem que, evitando os desperdícios ruinosos e as despesas supérfluas, permitia-lhe para isso bastar-lhe a metade do que custaria a outros sem fazer melhor.

Poderia fazer, assim, de sua fortuna, uma parte maior para os necessitados. Para isso separara um capital importante cuja renda era designada exclusivamente para essa destinação, sagrada para ela, e a considerava como tendo-a de menos a destinar para a sua casa. Achava assim o meio de conciliar os seus deveres para com a sociedade e para com o infeliz. (1)

Evocada, doze anos depois de sua morte, por um de seus parentes iniciados no Espiritismo, ela deu a comunicação seguinte, em resposta a diversas perguntas que lhe foram dirigidas (2):

"Tendes razão, meu amigo, em pensar que sou feliz; eu o sou, com efeito, além de tudo o que se possa exprimir e, todavia, estou longe ainda do último grau. Entretanto, estou entre os felizes da Terra, porque não me lembro de ter provado a tristeza real. Juventude, saúde, fortuna, homenagens, eu tinha tudo o que constitui a felicidade entre vós; mas o que é essa felicidade perto daquela que se saboreia aqui? Que são as vossas mais esplêndidas festas onde se expõem os mais ricos ornamentos, perto dessas assembléias de Espíritos resplandecentes, de uma luz que a vossa vista não poderia suportar, e que é o apanágio da pureza? Que são os vossos palácios e os vossos salões dourados perto das moradias aéreas, dos vastos campos do espaço matizados de cores que fariam empalidecer o arco-íris? Que são os vossos passeios, de passos contados, em vossos parques, perto das excursões através da imensidade, mais rápidas do que o relâmpago? Que são os vossos horizontes limitados e nebulosos, perto do espetáculo grandioso dos mundos que se movem no Universo sem limites sob a poderosa mão do Mais


(1) Pode-se dizer que essa senhora era o retrato vivo da mulher beneficente, traçada em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIII.

(2) Extraímos desta comunicação, cujo original está em língua alemã, as partes instintivas para o assunto que nos ocupa, suprimindo o que não é senão de interesse de família.