O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1475

maiores do que pensava. O corpo é um entrave às faculdades espirituais e, quaisquer que sejam as luzes que se haja conservado, são sempre mais ou menos abafadas pelo contato da matéria. Dormi esperando um despertar feliz; o sono foi curto, e a admiração imensa! Os esplendores celestes expostos aos meus olhares brilhavam com todo o seu fausto. A minha visão maravilhada mergulhava na imensidade desses mundos cuja existência e habitabilidade eu afirmara. Era uma visão que me revelava e me confirmava a verdade de meus sentimentos. O homem, por mais que se creia seguro, quando fala há, freqüentemente, no fundo de seu coração, os momentos de dúvida, de incerteza; ele desconfia, se não da verdade que proclama, menos freqüentemente, dos meios imperfeitos que emprega para demonstrá-la. Convencido da verdade que queria fazer admitir, a miúdo, tive que combater contra mim mesmo, contra o desalento de ver, de tocar, por assim dizer, a verdade, e não poder torná-la palpável àqueles que tinham tanta necessidade de crerem nela, para caminharem com segurança no caminho que tinham a seguir.

P. Quando vivo, professavas o Espiritismo?

R. Entre professar e praticar há uma grande diferença. Muitas pessoas professam uma doutrina que não praticam; eu praticava e não professava. Do mesmo modo que todo homem é cristão porque segue as leis do Cristo, fosse isso sem conhecê-las, do mesmo modo todo homem pode ser espírita, que crê em sua alma imortal, em suas reencarnações, em sua marcha progressiva incessante, nas provas terrestres, abluções necessárias para se purificar; eu nisso acreditava, era, pois, espírita. Compreendi a erraticidade, esse laço intermediário entre as encarnações, esse purgatório onde o Espírito culpado se despoja de seus vestidos manchados para revestir uma nova roupa, onde o Espírito em progresso tece, com cuidado, a roupa que vai vestir de novo e que quer conservar pura. Eu compreendi, vos disse, e sem professar continuei a praticar.

Nota. – Estas três comunicações foram obtidas por três médiuns diferentes, completamente estranhos uns aos outros. Pela analogia dos pensamentos, e a forma de linguagem, pode-se admitir pelo menos a presunção de identidade. A expressão: tece, com cuidado, a roupa que vai vestir de novo, é uma encantadora figura que pinta a solicitude com a qual