O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1476

o Espírito, em progresso, prepara a nova existência, que deverá fazê-lo progredir ainda. Os Espíritos atrasados tomam menos precauções e, algumas vezes, fazem escolhas infelizes, que os forçam a recomeçar.

ANTOINE COSTEAU

Membro da Sociedade Espírita de Paris, sepultado em 12 de setembro de 1863, no cemitério de Montmartre, na vala comum. Era um homem de coração que o Espiritismo conduziu a Deus; a sua fé no futuro era completa, sincera e profunda. Simples obreiro calceteiro, praticava a caridade em pensamentos, em palavras e em ações, segundo os seus fracos recursos, porque encontrava ainda o meio de assistir aqueles que tinham menos do que ele. Se a Sociedade não fez os gastos de uma cova particular, foi porque havia um emprego mais útil a se fazer com os fundos, do que se tivessem sido empregados sem proveito para os vivos, para uma vã satisfação do amor-próprio, e os espíritas, sobretudo, sabem que a vala comum é uma porta que conduz ao céu tão bem quanto os mais suntuosos mausoléus.

O senhor Canu, secretário da Sociedade, outrora profundo materialista, pronunciou, sobre a sua tumba, a locução seguinte:

"Caro irmão Costeau, há apenas alguns anos, muitos dentre nós, e, o confesso, eu sendo o primeiro, não teríamos visto, diante desta tumba aberta, senão o fim das misérias humanas, e depois o nada, o horrível nada, quer dizer, nada de alma por merecer ou expiar e, conseqüentemente, nada de Deus para recompensar, castigar ou perdoar. Hoje, graças à nossa divina Doutrina, aí vemos o fim das provas e, para vós, caro irmão, de quem entregamos à terra o despojo mortal, o triunfo de vossos labores e o começo das recompensas que mereceram a vossa coragem, a vossa resignação, a vossa caridade, em uma palavra, as vossas virtudes e, acima de tudo, a glorificação de um Deus sábio, todo-poderoso, justo e bom. Levai, pois, caro irmão, as nossas ações de graça aos pés do Eterno, que quis dissipar, ao nosso redor, as trevas do erro e da incredulidade, porque, ainda há pouco tempo, teríamos dito, nesta circunstância, a fronte triste e o desalento no coração: "Adeus, amigo, para sempre." Hoje dizemos, a