O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1477

testa alta e radiante de esperança, o coração cheio de coragem e de amor:"Caro irmão, até breve, e ore por nós(1)."

Um dos médiuns da Sociedade, sobre a própria sepultura, ainda não fechada, obteve a comunicação seguinte, da qual todos os assistentes, incluídos os coveiros, escutaram a leitura de cabeça descoberta, e com uma profunda emoção. Foi, com efeito, um espetáculo novo e surpreendente de ouvir as palavras de um morto recolhidas no seio mesmo da tumba.

"Obrigado, amigos, obrigado; a minha tumba não está ainda fechada e, todavia, um segundo mais e a terra vai recobrir os meus restos. Mas, vós o sabeis, sob essa poeira, minha alma não será enterrada; ela vai planar no espaço para subir a Deus!

"Também, como é consolador poder dizer-se ainda, apesar do envoltório destruído: Oh! não, eu não estou morto, vivo a verdadeira vida, a vida eterna!

"O acompanhamento do pobre não é seguido por um grande número; orgulhosas manifestações não ocorrem em sua tumba e, todavia, amigos, crede-me, a multidão imensa não falta aqui, e os bons Espíritos seguiram convosco e com essas mulheres piedosas, o corpo daquele que aí está, deitado! Todos, ao menos, credes e amais o bom Deus!

"Oh! Certamente, não! Não morremos porque o nosso corpo se destrói, mulher bem-amada! E, doravante, estarei sempre perto de ti, para te consolar e te ajudar a suportar a prova. Ela será rude para ti, a vida; mas com a idéia da eternidade e do amor de Deus cheio teu coração, como teus sofrimentos ser-te-ão leves!

"Parentes que cercais a minha bem-amada companheira, amai-a, respeitai-a; sede para ela irmãos e irmãs. Não olvideis que vos deveis toda a assistência na Terra, se desejais entrar na morada do Senhor.

"E vós, espíritas, irmãos, amigos, obrigado por terem vindo dizer-me adeus até esta morada de pó e de lama; mas sabeis, vós, vós sabeis bem que a minha alma vive imortal, e que, algumas vezes, irá pedir preces, que não me serão


(1) Para maiores detalhes, e as outras alocuções, ver a Revista Espírita de outubro de 1863, página 297.