O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1479

feito tão pouco. Parecia-me sonhar, e como, algumas vezes, ocorreu-me sonhar que estava morto, tive medo um instante de ser obrigado a retornar a esse infeliz corpo; mas não tardei a dar-me conta da realidade, e agradeci a Deus. Eu bendisse o Senhor que tão bem soubera despertar em mim os deveres do homem que pensa na vida futura. Sim, eu o bendizia e lhe agradecia, porque O Livro dos Espíritos despertara, em minha alma, o impulso de amor pelo meu Criador.

"Obrigado, meus bons amigos, por me atraírem para vós. Dizei aos nossos irmãos que, freqüentemente, estou em companhia de nosso amigo Sanson. Até breve; coragem! A vitória vos espera. Felizes aqueles que tomaram parte no combate!"

Desde então, o senhor Costeau manifestou-se freqüentemente, seja na Sociedade, seja em outras reuniões, onde sempre deu provas dessa elevação de pensamentos que caracteriza os Espíritos avançados.

SRTA. EMMA (1)

Jovem morta em conseqüência de um acidente causado pelo fogo, e depois de cruéis sofrimentos. Alguém se tinha proposto pedir a sua evocação na Sociedade Espírita de Paris, quando ela, espontaneamente, se apresentou no dia 31 de julho de 1863, pouco tempo depois de sua morte.

"Eis-me, pois, ainda no teatro do mundo, eu que me acreditava mergulhada para sempre no meu véu de inocência e de juventude. O fogo da Terra salvou-me do fogo do inferno: assim eu pensava em minha fé católica e, se ousasse entrever o esplendor do paraíso, minha alma tremente se refugiaria na expiação do purgatório, e pediria, sofreria, choraria. Mas quem deu à minha fraqueza a força para suportar as minhas angústias? Quem, nas longas noites de insônia e febre dolorosa, se inclinava sobre o meu leito de mártir? Quem refrescava os meus lábios áridos? Era vós, meu anjo guardião, cuja branca auréola me cercava; eram vós, também, caros Espíritos, que vínheis murmurar aos meus ouvidos palavras de esperança e de amor.


(1)Senhorita Emma Livry.