O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1486

esperança, eu espero, eu amo; os céus não têm mais espanto para mim, espero com confiança e amor que as asas brancas me abram caminho.

P. Que entendeis por essas asas? – R. Entendo tornar-me Espírito puro e resplandecer como os mensageiros celestes que me ofuscam.

As asas dos anjos, arcanjos, serafins, que são Espíritos puros, evidentemente, não são senão um atributo imaginado pelos homens para pintar a rapidez com a qual se transportam, porque a sua natureza etérea lhes dispensa qualquer sustentáculo para percorrer os espaços. Entretanto, eles podem aparecer aos homens com esse acessório para responderem ao seu pensamento, como outros Espíritos tomam a aparência que tinham na Terra para se fazerem reconhecer.

P. Vossos pais podem fazer alguma coisa que vos seja agradável? – R. Podem, estes seres queridos, não mais se entristecerem pelo quadro de seus pesares, uma vez que sabem que não estou perdida para eles; que o meu pensamento lhes seja doce, leve e perfumado em suas lembranças. Passei como uma flor, e nada de triste deve subsistir de minha rápida passagem.

P. De onde vem que a vossa linguagem seja tão poética e tão pouco em relação com a posição que tínheis na Terra? – R. É que é a minha alma quem fala. Sim, eu tinha conhecimentos adquiridos, e, freqüentemente, Deus permite que Espíritos delicados se encarnem entre os homens mais rudes para fazê-los pressentir as delicadezas que alcançarão e compreenderão mais tarde.

Sem esta explicação tão lógica, e tão conforme com a solicitude de Deus para com as suas criaturas, dificilmente dar-se-ia conta do que, à primeira vista, poderia parecer uma anomalia. Com efeito, o que de mais gracioso e de mais poético que a linguagem do Espírito dessa jovem, educada no meio dos mais rudes trabalhos? A contrapartida se vê freqüentemente; são os Espíritos inferiores encarnados entre os homens mais avançados, mas com um objetivo oposto; é tendo em vista o seu próprio adiantamento que Deus os coloca em contato com um mundo esclarecido, e, algumas vezes, também para servir de prova a esse mesmo mundo. Que outra filosofia pode resolver tais problemas?