O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO II 1489

com a moléstia que me arrebatou, mas esse sofrimento diminuía à medida que o último momento se aproximava; depois, uma luz, e dormi sem pensar na morte. Sonhei, oh! um sonho delicioso! Sonhava que estava curado, não sofria mais, respirava a plenos pulmões, e com volúpia, um ar embalsamado e fortificante; era transportado, através do espaço, por uma força desconhecida; uma luz brilhante resplandecia ao meu redor, mas sem cansar a minha visão. Vi meu avô; ele não tinha mais o rosto descarnado, mas um ar de frescor e de juventude; estendeu-me os braços e apertou-me com efusão sobre seu coração. Uma multidão de outras pessoas, com semblantes risonhos, acompanhava-o; todos me acolhiam com bondade e benevolência; parecia-me reconhecê-las, estava feliz por revê-las, e todos juntos trocamos palavras e testemunhos de amizade. Pois bem! O que eu acreditava ser um sonho era a realidade; não mais deveria despertar na Terra: eu estava desperto no mundo dos Espíritos.

P. A vossa moléstia fora causada pela vossa muito grande assiduidade ao estudo?

R. Oh! Não, disso estejais bem persuadidos. O tempo que deveria viver na Terra estava marcado, e nada poderia ai reter-me por mais tempo. Meu Espírito, nesses momentos de desligamento, sabia-o bem, e estava feliz pensando na sua próxima libertação. Mas o tempo que aí passei não foi sem proveito, e hoje me felicito por não tê-lo perdido. Os estudos sérios que fiz fortificaram a minha alma e aumentaram os meus conhecimentos; foi outro tanto de educação, e se não pude aplicá-los na minha curta permanência entre vós, aplicá-los-ei mais tarde com mais fruto.

Adeus, caro amigo, vou para junto de meus pais, dispô-los para receberem esta comunicação.

MAURICE.