O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO III 1497

Deus me concedera uma graça; vou dizer-vos a razão:

Minha incredulidade primeira não existia mais; antes de minha morte, eu crera, porque depois que sondara cientificamente a matéria pesada que me fazia enfraquecer,ao termo de razões terrestres, não encontrara senão a razão divina; ela me inspirara, consolara, e minha coragem era mais forte do que a dor. Eu bendizia o que amaldiçoara; o fim me parecia a libertação. O pensamento de Deus é grande como o mundo! Oh! que suprema consolação na prece que dá enternecimentos inefáveis; ela é o elemento mais seguro de nossa natureza imaterial; por ela compreendi, acreditei firmemente, soberanamente, e foi por isso que Deus, escutando as minhas ações benignas, consentiu em me recompensar antes de acabar a minha encarnação.

6. Poder-se-ia dizer que a primeira vez estáveis morto? – R. Sim e não; tendo o Espírito deixado o corpo, naturalmente a carne expirava; mas, retomando a posse de minha morada terrestre, a vida retornou ao corpo que sofrera uma transição, um sono.

7. Nesse momento, sentíeis os laços que vos ligavam ao vosso corpo? – R. Sem dúvida; o Espírito tem um laço difícil de quebrar, lhe é necessário o último estremecimento da carne para reentrar em sua vida natural.

8. Como ocorre que, quando de vossa morte aparente e durante alguns minutos, o vosso Espírito pôde se desligar instantaneamente e sem perturbação, ao passo que a morte real foi seguida de uma perturbação de vários dias? Parece que, no primeiro caso, os laços entre a alma e o corpo subsistindo mais que no segundo, o desligamento deveria ser mais lento, e foi ao contrário o que ocorreu. – R. Freqüentemente, fizestes evocação de um Espírito encarnado, e dele recebestes respostas reais; eu estava na posição desse Espírito. Deus me chamou e seus servidores me disseram: "Vinde..." Eu obedeci, e agradeci a Deus pela graça especial que consentiu fazer-me; pude ver o infinito e sua grandeza e dele me dei conta. Obrigado a vós que, antes da morte real, me permitites ensinar aos meus para que eles tenham boas e justas encarnações.

9. De onde provinham as belas e boas palavras que, quando do vosso retorno à vida, endereçastes à vossa