O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO III 1504

esmola. Velo especialmente sobre a classe dos aflitos pelos tormentos de família, a perda de pais ou de fortuna; tenho por missão consolá-los e encorajá-los, e sou feliz por fazê-lo.

ANNA.

Uma importante questão que ressalta dos fatos acima é esta:

Uma pessoa pode, por um esforço de sua vontade, retardar o momento da separação da alma e do corpo?

Resposta do Espírito de São Luís. – Esta questão, resolvida de um modo afirmativo e sem restrição, poderia dar lugar a falsas conseqüências. Certamente um Espírito encarnado pode, em certas condições, prolongar a existência corpórea para terminar instruções indispensáveis, ou que crê como tais; isso lhe pode ser permitido, como no caso que aqui se trata, e como disso há muitos exemplos. Esse prolongamento da vida não poderia, em todos os casos, ser senão de curta duração, porque não pode ser dado ao homem intervir na ordem das leis da Natureza, nem de provocar um retorno real à vida, quando esta chega ao seu termo. Não é senão uma suspensão condicional da pena momentânea. Entretanto, da possibilidade do fato, não será preciso concluir que possa ser geral, nem crer que depende de cada um prolongar assim a sua existência. Como prova para o Espírito, ou no interesse de uma missão a rematar, os órgãos usados podem receber um suplemento de fluido vital que lhes permita acrescentar alguns instantes à manifestação material do pensamento; os casos semelhantes são exceções e não a regra. Não é necessário ver, não mais, nesse fato uma derrogação de Deus à imutabilidade de suas leis, mas uma conseqüência do livre arbítrio da alma humana que, no último instante, tem consciência da missão da qual está encarregada, e quer, malgrado a morte, cumprir o que não pôde acabar. Algumas vezes, isso pode ser também uma espécie de punição infligida ao Espírito que duvida do futuro, a de lhe conceder um prolongamento de vitalidade, da qual sofre necessariamente.

SÃO LUÍS.

 

Poder-se-ia, também, admirar-se da rapidez do desligamento desse Espírito, tendo em vista o seu apego à vida corpórea; mas é necessário considerar que esse apego não tinha nada de sensual,