O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO IV 1506

CAPÍTULO IV

ESPÍRITOS SOFREDORES

O CASTIGO

Exposição geral do estado dos culpados na sua entrada no mundo dos Espíritos, ditado à Sociedade Espírita de Paris, em outubro de 1860.

Os Espíritos maus, egoístas e duros, são, logo depois da morte, entregues a uma dúvida cruel sobre o seu destino presente e futuro; olham ao seu redor, e não vêem de início nenhum sujeito sobre o qual possam exercer a sua má personalidade, e o desespero se apodera deles, porque o isolamento e a inação são intoleráveis aos maus Espíritos; não levantam os seus olhares para os lugares habitados pelos puros Espíritos; consideram o que os cerca, e logo surpreendidos pelo abatimento de Espíritos fracos e punidos, se agarram a eles como a uma presa, armando-se das lembranças de suas faltas passadas que, sem cessar, colocam em ação com os seus gestos zombeteiros. Essa zombaria não lhes bastando, mergulham na terra como abutres esfomeados; procuram, entre os homens, a alma que abrirá mais fácil acesso às suas tentações; dela se apoderam, exaltam a sua cobiça, tratam de extinguir a sua fé em Deus, e quando, enfim, senhores de uma consciência, vêem a sua presa assegurada, estendem sobre tudo o que se aproxima de sua vítima, o fatal contágio.

O mau Espírito que exerce a sua raiva é quase feliz; não sofre senão nos momentos que não age, e naqueles também onde o bem triunfa do mal.

Todavia, os séculos se escoam; o mau Espírito sente, de repente, as trevas invadi-lo; seu círculo de ação se estreita;