O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO IV 1512

túmulo, e a morte não põe um termo aos seus apetites que a sua visão, tão limitada quanto na Terra, procura em vão os meios de satisfazer. Jamais tendo procurado o alimento espiritual, a sua alma erra no vazio, sem objetivo, sem esperança, sujeita à ansiedade do homem que não tem, diante dele, senão a perspectiva de um deserto sem limites. A nulidade de suas ocupações intelectuais, durante a vida do corpo, ocasiona naturalmente a nulidade do trabalho do Espírito depois da morte; não mais podendo satisfazer o corpo, nada lhe resta para satisfazer o Espírito; daí um mortal dissabor do qual não prevêem o fim , e ao qual preferem o nada; mas o nada não existe; puderam matar o corpo, mas não podem matar o Espírito; é necessário, pois, que vivam nessas torturas morais até que, vencidos pela cansaço, se decidam a lançar um olhar para Deus.

LISBETH

(Bordeaux, 13 de fevereiro de 1862.)

Um Espírito sofredor se inscreveu sob o nome de Lisbeth.

1. Quereis dar-me alguns detalhes sobre a vossa posição e a causa dos vossos sofrimentos? – R. Seja humilde de coração, submisso à vontade de Deus, paciente nas provas, caridoso para com o pobre, encorajador para o fraco, ardente de coração para todos os sofrimentos, e não sofrerás as torturas que suporto.

2. Se as faltas opostas às qualidades que assinalais vos arrastaram, pareceis lamentá-las. Vosso arrependimento deve vos aliviar? – R. Não; o arrependimento é estéril quando não é a conseqüência do sofrimento. O arrependimento produtivo é aquele que tem por base o remorso de haver ofendido a Deus, e o ardente desejo de reparar. Infelizmente, ainda não estou aí. Recomendai-me às preces de todos aqueles que se consagram aos sofrimentos; disso tenho necessidade.

 

Isto é uma grande verdade; o sofrimento, por vezes, arranca um grito de arrependimento, mas que não é a expressão sincera do remorso por ter feito o mal, porque se o Espírito não sofre mais, ele estará pronto para recomeçar. Eis porque o arrependimen-