O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO IV 1518

médium, sem que este o conhecesse quando vivo, mesmo de nome.

"Creio na bondade de Deus que consentirá tomar em misericórdia o meu pobre Espírito. Eu sofri, muito sofri, e o meu corpo pereceu no mar. Meu Espírito esteve sempre ligado ao meu corpo, e por muito tempo esteve errante sobre as ondas. Deus...

(A comunicação foi interrompida; no dia seguinte o Espírito continuou:)

"...quis permitir que as preces, daqueles que deixei na Terra, me tirassem do estado de perturbação e de incerteza em que o meu Espírito estava mergulhado. Esperaram-me muito tempo e puderam reencontrar o meu corpo; no presente repousa, e meu Espírito, desligado, com pena, vê as faltas cometidas; prova consumada, Deus julga com justiça, e sua bondade se estende sobre os arrependidos.

"Se, por muito tempo, o meu Espírito errou com o meu corpo, era porque tinha a expiar. Segui o caminho reto se quereis que Deus retire prontamente o vosso Espírito de seu envoltório. Vivei no amor dele; orai, e a morte, tão horrível para tantos, será abrandada para vós, uma vez que sabeis a vida que vos espera. Sucumbi no mar e por muito tempo me esperaram. Não poder desligar-me de meu corpo era, para mim, uma terrível prova; por isso tenho necessidade de vossas preces, de vós que entrastes na crença que salva, de vós que podeis pedir a Deus justo por mim. Eu me arrependo e espero que consinta em me perdoar. Foi no dia 6 de agosto que o meu corpo foi reencontrado; eu era um pobre marinheiro e morri há muito tempo. Orai por mim."

PASCAL LAVIC.

P. Onde fostes reencontrado? – R. Perto de vós.

O Jornal du Havre, de 11 de agosto de 1863, continha o artigo seguinte, do qual o médium não podia ter conhecimento:

"Anunciamos que foi encontrado, no dia 6 deste mês, um resto de cadáver encalhado entre Bléville e La Hève. A cabeça, os braços e o busto estavam retirados; todavia, a sua identidade pôde ser constatada pelo sapato ainda junto aos