O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO IV 1524

pensamento a iniqüidade de minha vida, que foi um motivo de escândalo para muitos. Sei bem que sou um miserável, indigno de piedade; mas sofro tanto que é necessário ajudar-me a sair deste miserável estado.

P. Oraremos por vós. – R. Obrigado! Orai para que eu esqueça as minhas riquezas terrestres, pois sem isso jamais poderei me arrepender. Adeus e obrigado.

FRANÇOIS RIQUIER.

Rua de la Charité, n. 14.

É bastante curioso ver este Espírito dar o seu endereço, como se estivesse ainda vivo. A senhora, que o ignorava, apressou-se em ir verificá-lo; e ficou muito surpresa em ver que a casa indicada, fora bem a última que ele habitara. Assim, depois de cinco anos, ele se achava ainda na ansiedade, terrível para um avaro, de ver os seus bens divididos entre os seus herdeiros. A evocação, sem dúvida provocada por um bom Espírito, teve por efeito fazê-lo compreender a sua posição, e dispô-lo ao arrependimento.

CLAIRE

(Sociedade de Paris, 1861.)

O Espírito que ditou as comunicações seguintes foi o de uma senhora que o médium conhecera quando viva, e cuja conduta e caráter não justificam senão muito os tormentos que ela sofre. Sobretudo, ela era dominada por um sentimento exagerado de egoísmo e de personalidade, que se reflete na terceira comunicação, por sua pretensão de querer que o médium não se ocupe senão dela. Essas comunicações foram obtidas em diversas épocas; as três últimas denotam um progresso sensível nas disposições do Espírito, graças aos cuidados do médium, que emprendia a sua educação moral.

I. Eis-me, eu, a infeliz Claire; que queres tu que eu te ensine? A resignação e a esperança não são palavras para aquele que sabe que, inumeráveis como os calhaus da praia, seus sofrimentos durarão durante a sucessão dos séculos intermináveis. Eu posso abrandá-los, dizes? Que palavra