O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. IV - PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS 153

O Espírito parte, em cada nova existência, do ponto em que chegou na existência anterior.

- Deve haver, assim, uma grande conexão entre duas existências sucessivas?

- Nem sempre tão grande como poderias supor, porque as posições, freqüentemente, são bem diferentes e, no intervalo, o Espírito pode ter progredido (216).

219 - Qual é a origem das faculdades extraordinárias de indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, como as línguas, o cálculo, etc.?

- Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas do qual não tem consciência. De onde queres que elas venham? O corpo muda, mas o Espírito não muda, embora troque de vestimenta.

220 - Em mudando de corpo, podem perder-se certas faculdades intelectuais, deixando-se de ter, por exemplo, o gosto pelas artes?

- Sim, se conspurcou essa inteligência ou se fez dela um mau emprego. Ademais, uma faculdade pode permanecer adormecida durante uma existência, porque o Espírito veio para exercitar uma outra que com ela não tem relação; então, ela fica em estado latente para ressurgir mais tarde.

221 - É a uma lembrança retrospectiva que o homem deve, mesmo no estado selvagem, o sentimento instintivo da existência de Deus e o pressentimento da vida futura?

- É uma lembrança que ele conserva daquilo que sabia como Espírito antes de encarnar; mas o orgulho sufoca, muitas vezes, esse sentimento.

- É a essa lembrança que se devem certas crenças relativas à Doutrina Espírita, e que se registram em todos os povos?

- Esta doutrina é tão antiga quanto o mundo; por isso, encontramo-la por toda a parte, sendo uma prova de que é verdadeira. O Espírito encarnado, conservando a intuição de seu estado como Espírito, tem consciência instintiva do mundo invisível, porém, muitas vezes, os preconceitos falseiam essa idéia e a ignorância a mistura com a superstição.