O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO IV 1531

povoado, esse espaço onde, arrastados, gementes, pálidos Espíritos erram sem consolação, sem afeições, sem nenhum socorro. A quem se dirigir?... Sentem ali a eternidade cair sobre eles; tremem e lamentam os mesquinhos interesses que marcaram o compasso de suas horas; lamentam a noite que, sucedendo ao dia, freqüentemente, arrebatava as suas preocupações para um sonho feliz. As treva são, para os Espíritos: a ignorância, o vazio e o horror do desconhecido... Eu não posso continuar...

CLAIRE.

Também foi dada, dessa obscuridade, a explicação seguinte:

"O perispírito possui, por sua natureza, uma propriedade luminosa que se desenvolve sob o império da atividade e das qualidades da alma. Poder-se-ia dizer que essas qualidades são para o fluido perispiritual o que a fricção é para o fósforo. O brilho da luz está em razão da pureza do Espírito; as menores imperfeições morais a obscurecem e a enfraquecem. A luz que irradia de um Espírito é, assim, tanto mais viva quanto este seja avançado. O Espírito sendo, de alguma sorte, o seu farol, vê mais ou menos segundo a intensidade da luz que produz; de onde resulta que aqueles que nada produzem estão na obscuridade."

Essa teoria é perfeitamente justa quanto à irradiação do fluido luminoso pelos Espíritos superiores, o que é confirmado pela observação; mas aí não parece estar a causa verdadeira, ou pelo menos única do fenômeno do qual se trata, visto: 1º que todos os Espíritos inferiores não estão nas trevas; 2º que o mesmo Espírito pode se encontrar, alternativamente, na luz e na obscuridade; 3º que a luz é um castigo para certos Espíritos imperfeitos. Se a obscuridade na qual estão mergulhados certos Espíritos fosse inerente à sua personalidade, ela seria permanente e geral para todos os maus Espíritos, o que não é, uma vez que os Espíritos, da maior perversidade, vêem perfeitamente, ao passo que outros, que não se pode qualificar de perversos, estão termporariamente mergulhados nas profundas trevas. Tudo prova que, além da que lhe é própria, os Espíritos recebem uma luz exterior que lhes faz falta segundo às circunstâncias; de onde é preciso concluir que essa obscuridade depende de uma causa ou vontade estranha, e que ela