O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO V 1538

escrevê-lo; estamos convencidos, de que se a isso chegardes, ser-vos-á um alívio.

O Espírito acabou por escrever, em caracteres irregulares, trementes, e muito grossos: "Deus é muito bom."

9. Nós vos sabemos reconhecido por vir ao nosso chamado, e pediremos a Deus por vós, a fim de chamar-lhe a misericórdia sobre vós. – R. Sim, se vos apraz.

10. (A São Luís.) Quereis nos dar a vossa apreciação pessoal sobre o ato do Espírito que acabamos de evocar? – R. Este Espírito sofre justamente, porque lhe faltou confiança em Deus, o que é uma falta sempre punível; a punição seria terrível e muito longa se não tivesse, em seu favor, um motivo louvável, que era o de impedir seu filho de ir ao encontro da morte; Deus, que vê o fundo dos corações, não o puniu senão segundo as suas obras.

Observações. – À primeira vista, este suicídio parece desculpável, porque pode ser considerado como ato de devotamento; com efeito o é, mas não completamente. Assim como disse o Espírito de São Luís, a esse homem faltou a confiança em Deus. Por sua ação, talvez impediu o destino de seu filho de se cumprir; primeiro, não estava certo que este fosse morto na guerra, e talvez essa carreira deveria dar-lhe oportunidade de fazer alguma coisa que seria útil ao seu adiantamento. Sua intenção, sem dúvida, era boa, assim lhe foi tida em conta; a intenção atenua o mal e merece indulgência, mas não impede o que é mau de ser mau; sem isso, em favor do pensamento, poder-se-ia desculpar todos os delitos, e poder-se-ia mesmo matar sob o pretexto de prestar serviço. Uma mãe que mata o seu filho na crença que o envia direto ao céu é menos culpada, porque o fez numa boa intenção? Com esse sistema, justificar-se-iam todos os crimes que um fanatismo cego cometesse nas guerras religiosas.

Em princípio, o homem não tem o direito de dispor de sua vida, porque esta lhe foi dada em vista dos deveres que deveria cumprir na Terra, por isso não deve abreviá-la voluntariamente, sob nenhum pretexto. Como tem o seu livre arbítrio, ninguém pode impedi-lo, mas sofre-lhe sempre as conseqüências. O suicídio mais severamente punido é aquele que se cumpre pelo desespero, e tendo em vista livrar-se das misérias da vida; sendo essas misérias, ao mesmo tempo,