O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO V 1539

provas e expiações, subtrair-se delas é recuar diante da tarefa que se aceitara, às vezes mesmo diante da missão que se deveria cumprir.

O suicídio não consiste somente no ato voluntário que produz a morte instantânea; está também em tudo o que se faz, em conhecimento de causa, que deve apressar, prematuramente, a extinção das forças vitais.

Não se pode assemelhar ao suicídio o devotamento daquele que se expõe à morte iminente para salvar o seu semelhante; primeiro, porque não há, no caso, nenhuma intenção premeditada de subtrair-se à vida, e, em segundo lugar, não há perigo do qual a Providência não possa nos tirar, se a hora de deixar a Terra não chegou. Se a morte ocorre em tais circunstâncias, é um sacrifíco meritório, porque é uma abnegação em proveito de outrem.(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V., n.s 53, 65, 66, 67.)

FRANÇOIS-SIMON LOUVET (do Havre)

A comunicação seguinte foi dada espontaneamente, numa reunião espírita, no Havre, em 12 de fevereiro de 1863:

" Tende piedade de um pobre miserável que sofre, há muito tempo, de tão cruéis torturas! Oh! O vazio... o espaço... eu caio, eu caio, acudam!... Meu Deus, tive uma vida tão miserável!... Era um pobre diabo; sofria, freqüentemente, de fome nos meus velhos dias; foi por isso que me pus a beber e tinha vergonha e desgosto de tudo...Eu queria morrer e me atirei... Oh! Meu Deus, que momento!... Por que, pois, desejar acabá-la quando estava tão próximo do fim? Orai, para que eu não veja mais sempre esse vazio abaixo de mim... Vou quebrar-me nessas pedras!... A isso vos conjuro, a vós que tendes conhecimento das misérias daqueles que não estão mais nesse mundo, dirijo-me a vós, embora não me conheçais, porque sofro tanto... Por que querer provas? Eu sofro, não é isto bastante? Se tivesse fome, no lugar deste sofrimento mais terrível, mas invisível para vós, não hesitaríeis em me aliviar dando-me um pedaço de pão. Eu vos peço orar por mim... Não posso permanecer por mais tempo... Pedi a um desses felizes, que estão aqui, e sabereis quem eu era. Orai por mim."

FRANÇOIS-SIMON LOUVET.