O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO V 1540

O guia do médium. – Aquele que acaba de se dirigir a ti, meu filho, é um pobre infeliz que tinha uma prova de miséria na Terra, mas o desgosto a roubou; faltou-lhe a coragem, e o infortunado, em lugar de olhar para o alto, como deveria fazê-lo, deu-se à bebedeira; desceu aos últimos limites do desespero, e pôs termo à sua triste prova lançando-se da torre de François I, em 22 de julho de 1857. Tende piedade de sua pobre alma, que não é avançada, mas que, todavia, tem bastante conhecimento da vida futura para sofrer e desejar uma nova prova. Orai a Deus para conceder-lhe essa graça, e fareis uma boa obra.

Tendo-se pesquisado, encontrou-se no Journal du Havre, de 23 de julho de 1857, o artigo seguinte, do qual aqui está a substância:

" Ontem, às quatro horas, os que passeavam no cais ficaram dolorosamente impressionados com um horrível acidente: um homem lançou-se da torre e foi quebrar-se sobre as pedras. Era um velho puxador de sirga, que suas inclinações à embriaguez levaram ao suicídio. Chama-se François-Victor-Simon Louvet. Seu corpo foi transportado para a casa de uma de suas filhas, rua da Corderie; tinha a idade de sessenta e sete anos."

Depois de quase seis anos que esse homem morreu, se vê sempre caindo da torre e indo se quebrar nas pedras; espanta-se do vazio que tem diante de si; está nas apreensões da queda... e isso há seis anos! Quanto isso durará? Ninguém o sabe, e essa incerteza aumenta as suas angústias. Isso não vale o inferno e suas chamas? Quem revelou esses castigos? Foram inventados? Não; são aqueles mesmos que os sofreram que vêm descrevê-los, como outros descrevem as suas alegrias. Freqüentemente o fazem espontaneamente, sem que se pense neles, o que exclui toda idéia de que se seja o joguete da própria imaginação.

UMA MÃE E SEU FILHO

No mês de março de 1865, o Sr. C..., negociante numa pequena cidade perto de Paris, tinha, em sua casa, seu filho, com a idade de vinte e um anos, gravemente enfermo. Esse jovem, sentindo-se no momento de expirar, chamou sua mãe e ainda teve forças para abraçá-la. Esta disse-lhe, vertendo lágrimas abundantes: "Vai, meu filho, precede-me, não