O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO V 1546

7. Dissestes que estais nas trevas; é porque não vedes?

– R. Permiti-me ouvir algumas palavras que pronunciais, mas não vejo senão um crepe negro sobre o qual se desenha, em certas horas, uma cabeça que chora.

8. Se não vedes o vosso amante, não sentis a sua presença junto a vós, por que ele está aqui? – R. Ah! Não me falai dele, devo esquecê-lo no instante, se quero que do crepe se apague a imagem, que lhe vejo traçada.

9. Qual é essa imagem? – R. A de um homem que sofre, e cuja existência moral sobre a Terra, por longo tempo, matei.

Lendo esse relato, de início se está disposto a encontrar, para esses suicidas, circunstâncias atenuantes, a considerá-lo mesmo como um ato heróico, uma vez que foi provocado pelo sentimento do dever. Vê-se que foi julgado de outro modo, e que a pena dos culpados é longa e terrível por se refugiarem voluntariamente na morte, a fim de fugirem da luta; a intenção de não faltarem aos seus deveres, sem dúvida, é digna e isso lhes será levado em conta mais tarde, mas o verdadeiro mérito seria vencer o arrastamento, ao passo que fizeram como o desertor que se esquiva no momento do perigo.

A pena dos dois culpados, como se vê, consistirá em se procurarem por muito tempo sem se reencontrarem, seja no mundo dos Espíritos, seja em outras reencarnações terrestres; ela está momentaneamente agravada pela idéia de que seu estado presente deverá durar sempre; fazendo essa idéia parte do castigo, não lhes foi permitido ouvirem as palavras de esperança que lhes foram dirigidas. Àqueles que achariam essa pena bem terrível e bem longa, sobretudo se ela não deva cessar senão depois de algumas reencarnações, diremos que a sua duração não é absoluta, e que dependerá da maneira como suportarão as suas provas futuras, no que se pode ajudá-los pela prece; eles serão, como todos os Espíritos culpados, os árbitros de seu próprio destino. Entretanto, isso não vale ainda mais que a danação eterna, sem esperança, à qual estão irrevogavelmente condenados, segundo a doutrina da Igreja, que os considera de tal modo como devotados para sempre ao inferno, que lhes recusou as últimas preces, sem dúvida como inúteis?

LUÍS E A PESPONTADEIRA DE BOTINAS

Há sete ou oito meses, o chamado Luís G..., oficial sapateiro, fazia a corte a uma senhorita Victorine R..., pespontadeira de botinas, com a qual deveria se casar muito