O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. V - CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS 155

ravelmente. Seria o caso de examinarmos, aqui, porque todos os Espíritos não parecem de acordo com este ponto; isto faremos mais tarde.

Examinemos o assunto sob um outro ponto de vista, e, abstração feita de toda a intervenção dos Espíritos, deixemo-los de lado por enquanto; suponhamos que esta teoria não foi ensinada por eles e mesmo que ela não foi, jamais, por eles cogitada. Coloquemo-nos, momentaneamente, em um terreno neutro, admitindo o mesmo grau de probabilidade para uma e outra hipótese, a saber: a da pluralidade e da unidade das existências corpóreas, e vejamos para qual delas nos guiará a razão e o nosso próprio interesse.

Certas pessoas repelem a idéia da reencarnação por motivos apenas da sua conveniência, dizendo acharem bastante uma só existência e que não gostariam de recomeçar outra semelhante; reconhecemos que o simples pensamento de que tenham de reaparecer sobre a Terra, as faz pularem de furor. Temos só uma coisa a lhes perguntar: é se pensam que Deus pediu seus conselhos e consultou seu gosto para regular o Universo. Ora, de duas coisas, uma: ou a reencarnação existe, ou não existe; se existe, embora os contrarie, será preciso suportá-la sem que Deus tenha que lhes pedir permissão para isso. Parece-nos ouvir um doente dizer: "Já sofri demais hoje e não quero mais sofrer amanhã". Qualquer que seja a sua irritação, ela não o ajudará a sofrer menos amanhã e nos dias seguintes, até que esteja curado; portanto, se eles devem tornar a viver corporalmente, eles viverão, eles se reencarnarão; protestarão inutilmente, como uma criança que não quer ir à escola ou um condenado que não quer ir para a prisão, pois, é necessário que passem por ela. Semelhantes objeções são muito pueris para merecerem um exame mais sério. Diremos, entretanto, para os tranqüilizar, que a doutrina espírita sobre a reencarnação não é tão terrível como imaginam, e se a tivessem estudado a fundo não ficariam tão assustados. Saberiam que as condições dessa nova existência depende deles; ela será feliz ou infeliz segundo o que tiverem feito neste mundo, e podem, a partir desta vida, se elevarem tão alto que  não  temerão  mais  a queda no lodaçal.

Supomos que falamos a pessoas que crêem em um futuro qualquer depois da morte, e não àqueles que tomam o