O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO V 1550

parentes, que desejam conhecer a vossa sorte; podeis dizer-nos se vossa evocação vos é agradável ou penosa? – R. Penosa.

3. A vossa morte foi voluntária? – R. Sim.

O Espírito escreveu com extrema dificuldade; a escrita era muito grossa, irregular, convulsiva e quase ilegível. No início, mostrou cólera, quebrou o lápis e rasgou o papel.

4. Sede mais calmo; todos pediremos a Deus por vós. – R. Sou forçado em crer em Deus.

5.Que motivo vos levou a destruir-vos? – R. Aborrecimento da vida sem esperança.

Concebe-se o suicídio quando a vida é sem esperança; quer se escapar da infelicidade a qualquer preço; com o Espiritismo, o futuro se desenrola e a esperança se legitima: o suicídio não tem mais objetivo; mais ainda, reconhece-se que, por esse meio, não se escapa de um mal senão para cair num outro que é cem vezes pior. Eis porque o Espiritismo já tirou tantas vítimas da morte voluntária. São muito culpados aqueles que se esforçam por acreditar, por sofismas científicos, e supostamente em nome da razão, nessa idéia desesperante, fonte de tantos males e de crimes, que tudo acaba com a vida! Serão responsáveis não só pelos seus próprios erros, mas por todos os males de que terão sido a causa.

6, Quisestes escapar das vicissitudes da vida; com isso, ganhastes alguma coisa? Sois mais feliz agora? – R. Por que o nada não existe?

7. Quereis ser bastante bom para nos descrever a vossa situação, o melhor que puderdes? – R. Sofro por ser obrigado a crer em tudo o que negava. Minha alma é como um braseiro; está horrivelmente atormentada.

8. De onde vos provinham as idéias materialistas que tínheis quando vivo? – R. Numa outra existência fui mau, e o meu Espírito foi condenado a sofrer os tormentos da dúvida durante a minha vida; também me matei.

Há aqui toda uma ordem de idéias. Pergunta-se, freqüetemente, como pode haver materialistas, uma vez que, tendo já passado pelo mundo espiritual, deveriam ter dele a intuição; ora, é precisamente essa intuição que é recusada a certos Espíritos que conservaram o seu orgulho, e não se arrependeram de suas faltas.