O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO V 1552

19. Vede-vos reciprocamente com o vosso irmão que acabamos de chamar? – R. Não, ele foge de mim.

Poder-se-ia perguntar por que os Espíritos podem fugir no mundo espiritual, onde não existem obstáculos materiais nem retiros escondidos à visão. Tudo é relativo nesse mundo, e em relação com a natureza fluídica dos seres que o habitam. Só os Espíritos superiores têm percepções indefinidas; nos Espíritos inferiores elas são limitadas, e, para eles, os obstáculos fluídicos fazem o efeito de obstáculos materiais. Os Espíritos furtam-se à visão, uns dos outros, por um efeito de sua vontade, que age sobre o seu envoltório perispiritual e os fluidos ambientes. Mas a Providência, que vela sobre cada um, individualmente, como sobre seus filhos, deixa-lhes ou recusa-lhes essa faculdade, segundo as disposições morais de cada um; segundo as circunstâncias, é uma punição ou uma recompensa.

20. Sois mais calmo que ele; poderíeis nos dar uma descrição mais precisa de vossos sofrimentos?– R. Sobre a Terra não sofreis em vosso amor-próprio, em vosso orgulho, quando estais obrigado em convir com os vossos erros? Vosso Espírito não se revolta ao pensamento de vos humilhar diante daquele que vos demonstra que estais no erro? Pois bem! Que credes que sofre o Espírito que, durante toda uma existência, se persuadiu de que nada existe depois dele, que tem razão contra todos? Quando, de repente, encontra-se em face da brilhante verdade, está aniquilado, está humilhado. A isso vem se juntar o remorso de ter podido, por tanto tempo, esquecer a existência de um Deus tão bom, tão indulgente. Seu estado é insuportável; não encontra nem calma nem repouso; não encontrará um pouco de tranqüilidade senão no momento em que a graça santa, quer dizer, o amor de Deus, tocá-lo, porque o orgulho se apodera de tal modo de nosso pobre Espírito que o envolve inteiramente, e lhe é necessário ainda muito tempo para se desfazer dessa veste fatal; não é senão a prece de nossos irmãos que pode nos ajudar a nos desembaraçarmos dele.

21. Quereis falar de vossos irmãos viventes ou Espíritos? – R. De uns e de outros.

22. Enquanto conversávamos com o vosso irmão, uma pessoa aqui presente orou por ele; essa prece lhe foi útil? – R. Ela não será perdida. Se recusa a graça agora, isso lhe virá, quando estiver no estado de recorrer a essa divina panacéia.