O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO V 1561

vingança, e orai também por mim, a fim de que adquira a força e a energia necessárias para não mais falir à prova do suicídio por livre vontade, à qual me submeterei, dizem-me, na próxima encarnação.

6. Ao guia do médium. Pode um Espírito obsessor, realmente, levar o obsidiado ao suicídio? – R. Seguramente, porque a obsessão que é, ela mesma, um gênero de prova, pode revestir todas as formas; mas não é uma desculpa. O homem tem sempre o seu livre arbítrio e, por conseqüência, está livre para ceder ou resistir às sugestões das quais é alvo; quando ele sucumbe, é sempre pelo fato de sua vontade. O Espírito tem razão, de resto, quando diz que aquele que faz o mal pela instigação de um outro é menos responsável, e menos punido, que aquele que o comete por seu próprio impulso; mas não está inocentado, porque, desde o instante que se deixa desviar do caminho reto, é porque o bem não está ainda fortemente enraizado nele.

7. Como ocorre que, apesar da prece e do arrependimento que tinham livrado esse Espírito do tormento que experimentava pela visão de sua vítima, ainda fora perseguido pela vingança do Espírito obsessor na sua última encarnação? – R. O arrependimento, vós o sabeis, não é senão a preliminar da reabilitação, mas não basta para livrar o culpado de toda a pena; Deus não se contenta com promessas; é necessário provar, por seus atos, a solidez do retorno ao bem; por isso, o Espírito é submetido a novas provas que o fortifiquem, ao mesmo tempo que fazem adquirir um mérito a mais, quando delas sai vitorioso. Será o alvo da perseguição dos maus Espíritos até que estes o sintam bastante forte para lhes resistir; então eles o deixam em repouso, porque sabem que as suas tentativas seriam inúteis.

Estes dois últimos exemplos nos mostram a mesma prova se renovando em cada encarnação, por tanto tempo quanto nela se sucumba. Antoine Bell nos mostra, por outro lado, o fato não menos instrutivo de um homem perseguido pela lembrança de um crime cometido numa existência anterior, como um remorso e uma advertência. Vemos por aí que todas as existências são solidárias umas com as outras; a justiça e a bondade de Deus revelam-se na faculdade que deixa ao homem para se melhorar gradualmente, sem jamais fechar-lhe a porta do resgate de suas faltas; o culpado é punido pela sua própria falta, e a punição, em lugar de ser uma vingança de Deus, é o meio empregado para fazê-lo progredir.