O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VI 1564

nossos irmãos; sou punido pelo remorso de ter retardado o meu adiantamento, fazendo falso caminho, e não tendo escutado o grito de minha consciência, que me dizia que não era matando que chegaria ao meu objetivo; mas deixei-me dominar pelo orgulho e pelo ciúme; enganei-me e disso me arrependo, porque o homem deve sempre fazer esforços para dominar as suas más paixões, e eu não o fiz.

16. Que sentimento experimentavas quando vos evocamos? – R. Um prazer e um temor, porque não sou mau.

17.Em que consistem esse prazer e esse temor?– R. Um prazer de entreter-me com os homens, e poder em parte reparar a minha falta confessando-a. Um temor que não saberia definir, uma espécie de vergonha por ter sido assassino.

18. Quereríeis ser reencarnado nesta Terra?– R. Sim, eu o peço, e desejo encontrar-me constantemente exposto a ser morto, e disso ter medo.

Mons. Sibour, sendo evocado, disse que perdoava ao seu assassino e orava para o seu retorno ao bem. Acrescentou que, embora presente, não se mostrou a ele para não aumentar o seu sofrimento; o medo de vê-lo, que era um sinal de remorso, já era um castigo.

P. O homem que comete um assassínio sabe, em escolhendo a sua existência, que se tornaria assassino? – R. Não; sabe que, escolhendo uma vida de luta, há chance, para ele, de matar um de seus semelhantes; mas ignora se o fará, porque, quase sempre, teve luta nele.

A situação de Verger, no momento de sua morte, é a de quase todos aqueles que perecem de morte violenta. A separação da alma não se operando de maneira brusca, estão como aturdidos e não sabem se estão mortos ou vivos. A visão do arcebispo foi-lhe poupada, porque não era necessária para nele excitar o remorso, ao passo que outros, ao contrário, são incessantemente perseguidos pelos olhares de suas vítimas.

À enormidade de seu crime, Verger acrescentara não estar arrependido antes de morrer; estava, pois, em todas as condições exigidas para incorrer na condenação eterna. Entretanto, apenas deixou a Terra e o arrependimento penetrou-lhe a alma; ele repudiou o seu passado e pediu sinceramente para repará-lo. Não foi o excesso de sofrimento que o empurrou, uma vez que não teve tempo para sofrer; foi, pois, somente o grito de sua consciência, que