O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VI 1565

não escutou durante a sua vida, e que escuta agora. Por que, pois, isso não lhe foi levado em conta? Por que há algumas horas de distância, o que o salvaria do inferno, não o poderia mais? Por que Deus, que foi misericordioso antes da morte, seria sem piedade algumas hora mais tarde?

Poder-se-ia admirar da rapidez da mudança que se opera, algumas vezes, nas idéias de um criminoso endurecido até o último momento, e naquele que a passagem para a outra vida basta para fazê-lo compreender a iniqüidade de sua conduta. Esse efeito está longe de ser geral, sem isso não haveria maus Espíritos; o arrependimento, freqüentemente, é mais tardio, e daí a pena se prolonga em conseqüência.

A obstinação no mal, durante a vida, é, por vezes, uma conseqüência do orgulho que se recusa dobrar e confessar os seus erros; depois o homem está sob a influência da matéria que lança um véu sobre as suas percepções espirituais, e fascina-o. Esse véu tombado, uma luz súbita o aclara, e ele se encontra como desiludido. O pronto retorno a melhores sentimentos é sempre o indício de um certo progresso moral cumprido, que não pede senão uma circunstância favorável para se revelar, ao passo que aquele que persiste no mal mais ou menos por muito tempo depois da morte, incontestavelmente, é um Espírito mais atrasado, em quem o instinto material abafa o germe do bem, e a quem são necessárias novas provas para se melhorar.

LEMAIRE

condenado à pena de morte, pelo Supremo Tribunal de Justiça (Criminal) do Aisne, e executado em 31 de dezembro de 1857; evocado em 29 de janeiro de 1858.

1. Evocação. – R. Estou aqui.

2. Que sentimento experimentais à nossa visão? – R. A vergonha.

3. Conservastes o vosso conhecimento até o último momento? – R. Sim.

4. Imediatamente após a vossa execução, tivestes conhecimento de vossa nova existência? – R. Estava mergulhado numa perturbação imensa da qual ainda não saí. Senti uma imensa dor, e pareceu-me que o meu coração a sofria. Vi rolar não sei o que ao pé do patíbulo; vi sangue correr