O CÉU E O INFERNO - SEGUNDA PARTE - EXEMPLOS - CAPÍTULO VI 1568

BENOIST

(Bordeaux, março de 1862.)

Um Espírito se apresentou espontaneamente ao médium, sob o nome de Benoist, e disse ter morrido em 1704 e suportado horríveis sofrimentos.

1. Que éreis quando vivo? – R. Monge sem fé.

2. A falta de crença foi a vossa única falta? – R. Basta para arrastar os outros.

3. Podeis nos dar alguns detalhes sobre a vossa vida? A sinceridade da vossa confissão ser-vos-á contada. – R. Sem fortuna e preguiçoso, eu escolhi as ordens, não por vocação, mas para ter uma posição. Inteligente, fiz para mim um lugar; influente, abusei do poder; vicioso, arrastei para as desordens aqueles que eu tinha a missão de salvar; duro, persegui aqueles que tinham a coragem de censurar os meus excessos; os in pace encheram-se com as minhas solicitudes. A fome torturou muitas vítimas; seus gritos, freqüentemente, eram extintos com a violência. Desde então, expio e sofro todas as torturas do inferno; as minhas vítimas atiçam o fogo que me devora. A luxúria e a fome insaciadas me perseguem; a sede irrita os meus lábios ardentes sem jamais aí deixar cair uma gota refrescante; todos os elementos se obstinam contra mim. Orai por mim.

4. As preces que são feitas para os que morrem vos devem ser atribuídas como aos outros? – R. Credes que elas sejam bem edificantes. Elas têm para mim o valor daquelas que eu simulava fazer. Não cumpri as minhas tarefas. Dela não encontro o salário.

5. Nunca vos arrependestes? – R. Há muito tempo; mas não veio senão depois do sofrimento. Como fui surdo aos gritos de vítimas inocentes, o Mestre é surdo aos meus gritos. Justiça!

6. Reconheceis a justiça do Senhor; confiai-vos à sua bondade e rogai para que vos ajude. – R. Os demônios uivam mais alto do que eu; os gritos se afogam na minha garganta; eles enchem a minha boca com breu fervente!... Eu o fiz, grande... (o Espírito não pôde escrever a palavra Deus.)

7. Não estais ainda bastante separado das idéias terres-